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JESUS REALMENTE RESSUSCITOU?

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  O objetivo deste texto é pensar se podemos entender a ressurreição de Jesus de Nazaré como fato histórico ou não. É preciso dizer que é consenso acadêmico estabelecido que Jesus de Nazaré existiu de fato e morreu em uma cruz, portanto, afirmar que Jesus é um mito ou negar a realidade de sua crucificação pode ser considerado como uma teoria da conspiração, assim como o é, por exemplo, negar que o homem foi à lua ou dizer que a terra é plana. Este texto se divide nas seguintes partes: I. ARGUMENTOS DE APOLOGISTAS A FAVOR DA RESSURREIÇÃO II. FONTES TEXTUAIS HISTÓRICAS III. O TÚMULO VAZIO IV. APARIÇÕES DE JESUS V. UMA QUESTÃO CIENTÍFICA Jesus de Nazaré , segundo a tese que expus ( aqui ), foi um profeta apocalíptico que esperava a vinda do Filho do Homem e o estabelecimento do Reino de Deus enquanto ele e seus discípulos ainda estivessem vivos. Jesus sempre pregou em vilarejos pequenos e na área rural, de modo que sua mensagem, embora incomodasse alguns líderes religioso...

O JESUS HISTÓRICO COMO PROFETA APOCALÍPTICO

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O objetivo deste texto é apresentar uma das teses sobre quem foi de fato Jesus de Nazaré . O Jesus Cristo que conhecemos é uma construção teológica, trata-se de alguém considerado como a encarnação de Deus, nascido em Belém de uma Virgem e que teria fundado uma nova religião chamada de Cristianismo. Hoje se sabe, do ponto de vista histórico, que Jesus foi na verdade um camponês da pequena vila de Nazaré, que foi batizado por João Batista, um profeta apocalíptico e que teve seu projeto interrompido por uma morte abrupta na cruz. Esse Jesus era no pleno sentido da palavra um judeu, nunca reivindicou ser Deus, nem pretendia fundar uma nova religião.             No entanto, há um debate sobre qual era a essência do ministério de Jesus. Ao lermos os Evangelhos sinóticos vemos que um conceito central da mensagem de Jesus é a vinda do Reino de Deus . Uma das hipóteses levantadas para entender o contexto da mensagem de Jesus de Nazaré é ...

COMO OS HEBREUS SE TORNARAM MONOTEÍSTAS?

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       O objetivo deste texto é apresentar uma tese sobre como os hebreus se tornaram monoteístas. A fim de cumprir esse propósito, este artigo se constitui das seguintes partes: (i) a tese de Sigmund Freud: nesta parte considera-se a hipótese freudiana de que o monoteísmo foi trazido do Egito por Moisés e porque essa tese já foi refutada; (ii) A origem de Javé : a partir desta parte, usando principalmente Thomas Römer como referência, discute-se qual a terra natal do deus Yahweh; (iii) A adoração de Javé em Israel: nesta parte considera-se como Yahweh se tornou o deus supremo do Reino do Norte; (iv) A adoração de Javé em Judá: nesta parte considera-se como Yahweh se tornou o deus supremo do Reino do Sul; (v) A origem do monoteísmo: nesta parte busca-se responder como os hebreus foram da monolatria para o monoteísmo, passando a considerar Yahweh o único deus existente.

COMO SABER SE O QUE OS EVANGELHOS RELATAM SOBRE JESUS É HISTÓRICO OU NÃO?

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  Como saber se uma passagem encontrada nos Evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João) é histórica ou não? Como podemos saber, do ponto de vista de critérios históricos objetivos, se uma narrativa sobre Cristo realmente aconteceu na História literal? Ou se o Jesus Histórico realmente disse algo que está escrito que ele disse? Para responder a essas questões este artigo considerará: (i) a teoria fundamentalista sobre a historicidade dos evangelhos; (ii) como os evangelhos foram escritos; (iii) critérios para determinar a historicidade dos relatos evangélicos; e (iv) o que dizer dos milagres?

FENOMENOLOGIA E TRANSGENERIDADE - TEXTO DE TALIA BETTCHER (TRADUÇÃO)

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  Embora as pessoas trans tenham sido teorizadas desde o final dos anos 1800, particularmente no campo da sexologia, foi na década de 1950 que uma visão comum da “pessoa transexual” começou a tomar forma. Através do trabalho de Harry Benjamin, Christian Hamburger et al. - na esteira da explosão da mídia em torno da transição de Christine Jorgensen - é que ganhou destaque a compreensão de que haveria uma experiência resistente do próprio Self que não poderia ser modificada por meio de uma intervenção psiquiátrica e que requeria, assim, uma transformação corporal por meio da intervenção cirúrgica e hormonal. Enquanto isso, o trabalho de John Money, John e Joan Hampson e, em seguida, Robert Stoller e Ralph Greenson produziram a noção de "identidade de gênero" (a sensação de ser homem ou mulher). Desse modo, a noção de transexualidade passou a ser associada com a compreensão da identidade de gênero e da inadequação ao corpo. A transexualidade passou a ser entendida como "enc...

IMAGINÁRIO DECOLONIAL - TEXTO DE EDUARDO MENDIETA (TRADUÇÃO)

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  O trabalho clássico considerado como a primeira articulação da noção filosófica de “imaginário decolonial” é o livro de Emma Pérez de 1999, chamado " The Decolonial Imaginary: Writing Chicanas into History " (O Imaginário Decolonial: escritas chicanas na História). Embora Pérez seja uma historiadora e seu texto seja uma intervenção pontual na prática da escrita historiográfica, ele não deixa de ser um texto muito influenciado pela filosofia em geral e, em particular, pela obra do filósofo da história Hayden White e do filósofo francês Michel Foucault. Na verdade, um dos objetivos de Pérez é desenterrar, resgatar, restaurar e reativar os conhecimentos "subjugados" dos cidadãos estadunidenses de origem mexicana, chamados de “chicanos”, especialmente em relação ao conhecimento das mulheres chicanas lésbicas. O que também torna o livro de Pérez um texto-chave é sua distintiva abordagem interseccional. Isso fica evidente na forma como o livro está dividido em três seçõ...

DIFERENÇA ONTOLÓGICA E TEOLOGIA PÓS-TEÍSTA - TEXTO DE JOHN D. CAPUTO (TRADUÇÃO)

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  Diferença ontológica. Esta expressão se refere à distinção entre ser ( Sein ) e entes ( Seienden ) na obra de Martin Heidegger. Rastrear a origem desta expressão fornece uma visão valiosa sobre o desenvolvimento da obra de Heidegger e, para além de Heidegger, na filosofia continental atual, incluindo a gênese de uma teologia pós-teísta posterior à morte de Deus. Embora a distinção seja central em " Ser e Tempo ", a expressão em si não aparece ali, sendo evidentemente reservada para “ Tempo e Ser ”, a famosa parte que faltava, e que acaba por conduzir a uma formulação mais radical na década de 1940.

O CONCEITO FENOMENOLÓGICO DE MÁ-FÉ - TEXTO DE LEWIS R. GORDON (TRADUÇÃO)

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  O conceito de má-fé possui uma história tanto na linguagem do senso comum quanto na tradição filosófica. Há, pois, um significado no senso comum e outro na filosofia. O primeiro está ligado a questões legais. Trata-se de apresentar um testemunho ou assumir um compromisso de má-fé, isto é, refere-se a dar um falso testemunho ou assumir um compromisso com falsas intenções. Já o significado filosófico, tem uma história complexa, emergindo principalmente de reflexões da filosofia existencial francesa. Isso não quer dizer que o fenômeno descrito no existencialismo francês foi criado por ele. A história do sentido filosófico de má-fé talvez remonte a reflexões tão antigas quanto as míticas.

FENOMENOLOGIA CRÍTICA - TEXTO DE LISA GUENTHER (TRADUÇÃO)

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  A fenomenologia é uma prática filosófica de reflexão sobre as estruturas transcendentais que tornam possível e significativa a experiência viva da consciência. Ela inicia-se colocando entre parênteses a atitude natural, ou a suposição ingênua de que o mundo existe à parte da consciência e “reduzindo” a experiência cotidiana do mundo às estruturas básicas que constituem seu significado e coerência. O propósito dessa redução não é se abstrair da complexidade da experiência comum, mas antes conduzir ( reducere ) a reflexão de uma absorção acrítica no mundo para uma compreensão rigorosa das condições de possibilidade de qualquer mundo determinado. A mais básica dessas condições é o ego transcendental; não há experiência e, portanto, nenhuma experiência significativa, sem que haja um sujeito que viva essa experiência. Esse “sujeito” não é um simples " cogito " ou um “eu penso”; trata-se, em sua formulação mais básica, de uma relação ou orientação daquele que pensa para o pensame...

A IMPORTÂNCIA DA NARRATIVA MÍTICA NO FÉDON E O MITO BÍBLICO A RESPEITO DA VIDA APÓS A MORTE

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  O objetivo deste ensaio é trabalhar a importância da narrativa mítica no Fédon e associá-la com o mito bíblico a respeito da vida após a morte. Platão, no Fédon, recorre a postulados da tradição órfico-pitagórica para dar suporte aos seus argumentos de que a alma sobrevive à morte do corpo. Os mitos apresentam a morte como uma libertação para aqueles que levam uma vida virtuosa, de modo que o filósofo anseia a morte, encarando-a com serenidade (SOBRINHO, 2007). De igual modo, os cristãos, com base no mito bíblico, creem que os virtuosos, em uma vida futura, gozarão de felicidade eterna. É assim, pois, que mártires cristãos encararam a sentença de morte a eles impostas com muita tranquilidade, certos de entrar na glória celestial ao deixarem este corpo.             Podemos lembrar, por exemplo, de como o reformador Jan Huss (1369-1415) encarou heroicamente o martírio. Huss, enquanto um reformador, desafiou a Igreja Medieval ...

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Bruno dos Santos Queiroz