sexta-feira, 25 de setembro de 2015

INTERDITO LEVÍTICO DO INCESTO


Bruno dos Santos Queiroz
A proibição do incesto é sem dúvida um fenômeno universal. Não há sociedade alguma em que não haja uma norma que interdite o casamento entre pessoas situadas em um determinado grau de parentesco. As pretensas exceções a essa condenação unânime ao incesto, a do casamento de irmãos nas famílias reais do Egito Antigo, do Império Inca ou do Havaí, não devem ser tomadas como um indício da inexistência, entre eles, da noção de incesto e de sua proibição, mas apenas da adoção de uma forma diversa de classificar as relações que se enquadram nessa categoria. A constatação de que as relações incestuosas têm sido consideradas, nas mais diferentes épocas e lugares, como intrinsecamente perniciosas, condenáveis, não significa a universalidade de sua observância. Psicanalistas, sacerdotes, médicos e educadores sabem muito bem que as transgressões à proibição do incesto são uma realidade bem mais freqüente [sic.] do que geralmente se imagina. (Lobato, 1999)
Para Freud, assim como para Levi-Strauss, a proibição do incesto é um fenômeno sócio-cultural de caráter universal. Este fenômeno gera nas mais diversas culturas, comportamentos, leis, instituições, regras, moral e uma ética de conformidade com a formação social de cada povo, reiterando algo que é singular em todos: o rechaço ao incesto. Esta universalidade inquietou tanto Levi-Strauss quanto Freud, embora o ponto de chegada e de partida do constructo teórico de ambos sejam distintos. (Pontes, 2004)

       Com o objetivo de fortalecer a universalidade do incesto segue abaixo o texto hebreu antigo que condena o incesto, datado pelos eruditos conservadores por volta de 1445-1405 a.C. (Stamps, 1995). O texto em questão está citado conforme a tradução da Nova Versão Internacional:
Obedeçam aos meus decretos e ordenanças, pois o homem que os praticar viverá por eles. Eu sou o Senhor.
"Ninguém poderá se aproximar de uma parenta próxima para se envolver sexualmente com ela. Eu sou o Senhor.
"Não desonre o seu pai, envolvendo-se sexualmente com a sua mãe. Ela é sua mãe; não se envolva sexualmente com ela.
"Não se envolva sexualmente com a mulher do seu pai; isso desonraria seu pai.
"Não se envolva sexualmente com a sua irmã, filha do seu pai ou da sua mãe, tenha ela nascido na mesma casa ou em outro lugar.
"Não se envolva sexualmente com a filha do seu filho ou com a filha da sua filha; isso desonraria você.
"Não se envolva sexualmente com a filha da mulher do seu pai, gerada por seu pai; ela é sua irmã.
"Não se envolva sexualmente com a irmã do seu pai; ela é parenta próxima do seu pai.
"Não se envolva sexualmente com a irmã da sua mãe; ela é parenta próxima da sua mãe.
"Não desonre o irmão do seu pai aproximando-se da sua mulher para com ela se envolver sexualmente; ela é sua tia.
"Não se envolva sexualmente com a sua nora. Ela é mulher do seu filho; não se envolva sexualmente com ela.
"Não se envolva sexualmente com a mulher do seu irmão; isso desonraria seu irmão.
"Não se envolva sexualmente com uma mulher e sua filha. Não se envolva sexualmente com a filha do seu filho ou com a filha da sua filha; são parentes próximos. É perversidade.
"Não tome por mulher a irmã da sua mulher, tornando-a rival, envolvendo-se sexualmente com ela, estando a sua mulher ainda viva.
                                                                                                                   (Levítico 18:5-18)

REFERÊNCIAS
Lobato, J. P. (1999). A proibição de incesto em Lévi-Strauss. Revista Oficina: Família, seus conflitos e perspectivas sociais9, 14-20.
Pontes, A. M. (2004). O tabu do incesto e os olhares de Freud e Levi-Strauss. Trilhas1,7-14.
Stamps, D. C. (1995). Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD


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