sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

UM ENSAIO ANALÍTICO SOBRE O MOLINISMO



           O objetivo deste artigo não é oferecer uma refutação ou resposta exaustiva ao molinismo, nem de trazer uma solução final ao problema “liberdade humana X soberania divina”. Antes, este texto é uma espécie de ensaio que busca apresentar uma análise prolegômena do molinismo ao lidar com a questão metafísica “determinismo X indeterminismo”.  
       De acordo com o Molinismo, a base dos decretos de Deus está em Sua Onisciência, mais propriamente em Seu conhecimento médio. O conhecimento médio seria o conhecimento que Deus tem do que uma pessoa livremente faria se ela se encontrasse em uma determinada circunstância [1]. Portanto, para um molinista, a providência divina depende, ou seja, está baseada, na Onisciência, de forma que o conhecimento de Deus é logicamente anterior ao seu decreto.
        Podemos concordar em dois pontos com a metafísica molinista: (1) A Providência divina é exaustiva e abrangente: Tudo o que acontece no mundo ocorre segundo a vontade decretiva de Deus (Isaías 14.24,27; 46.8-11). (2) Deus possui conhecimento das escolhas humanas livres em cada circunstância (1 Samuel 23.8-14). [2] Mas o Molinismo está errado quando diz que a base para o decreto e a providência de Deus está no Seu conhecimento médio. [3] Isso por dois motivos:

1.      A Simplicidade de Deus exige a independência ontológica de Seu conhecimento:

       O Teísmo clássico e o Cristianismo histórico entendem Deus como uma unidade absolutamente simples não composta por quaisquer partes, desse modo os atributos de Deus devem ser vistos sobre o prisma da simplicidade (não-composição) da essência divina. O argumento a favor da simplicidade de Deus pode ser colocado da seguinte forma:

“(i) Existe uma multiplicidade de seres.
(ii) Os seres finitos se diferenciam quando suas potencialidades são atualizadas.
(iii) Mas nenhuma potencialidade é capaz de atualizar por si própria.
(iv) Logo precisa haver algo que é Pura Atualidade.
(v) Seres simples não são compostos de nenhuma forma ou matéria para se diferenciar.
(vi) Não há multiplicidade se não há diferença.
(vii) Portanto só existe um Ser Simples (Deus).”[4]

       Isso significa que Deus é idêntico a cada um de seus atributos. Ele não tem Sabedoria, Ele É a Sabedoria. Essa identidade faz com que todos os atributos possam qualificar um ao outro, visto que eles não são “partes” que formam um conjunto de propriedades, mas são designações que se referem a uma e a mesma essência indivisível da deidade. Assim, se Deus é Infinito e se Deus é Sabedoria, Deus é Sabedoria Infinita e a Infinita Sabedoria, daí dizermos que Ele é Onisciente. Outro exemplo, se Deus é Santidade e se Deus é Amor, então Deus é Santidade Amorosa e Amor Santo. Assim, por causa da simplicidade e pura realidade de Deus, seus atributos são perfeitamente coordenados. [5]
       Podemos agora argumentar assim: (1) Deus é um Ser Independente (2) Deus é Conhecimento (3) Logo Deus é Conhecimento Independente. Os molinistas têm um sério problema diante deles, que é o de explicar como o conhecimento divino pode ser a base das ações de Deus se esse conhecimento, por ser infinito, já precisa incluir o controle providencial da Divindade.[6] O conhecimento de Deus não pode depender de nada fora de Si mesmo, pois a simplicidade da essência divina exige que o conhecimento da Deidade seja independente. Mas, no molinismo, enquanto Deus é feito dependente, os mundos possíveis tornam-se realidades ontologicamente independentes de Deus. Como observa Franklin Ferreira & Alan Myatt:
  
“... há o problema da independência ontológica destes mundos possíveis. Se as ações das criaturas nestes mundos são autônomas..., então estes mundos possíveis são o que eles são por causa da atividade criativa das criaturas e não de Deus. É como se Deus, ao criar, fosse numa loja de mundos possíveis e, olhando as estantes, tivesse encontrado um mundo de que gostava, e a partir daí o tornasse real. Mas esses mundos possíveis, de onde vieram? Não são criados por Deus, mesmo como ideias, mas existem como possibilidades independentes de Deus, como se fossem ideias platônicas.” [7]

         Dentro de uma perspectiva reformada, os condicionantes futuros não são vistos como realidades ontologicamente independentes de Deus. O próprio Deus estabeleceu não somente os fins, mas também os meios pelos quais esses fins seriam atingidos. Assim Deus inseriu os eventos numa rede variada de conexões frequentemente de natureza condicional. Por exemplo, uma pessoa só pode ser salva se invocar o nome do Senhor, assim se uma pessoa X invocar o nome do Senhor ela será salva, mas se essa mesma pessoa X não invocar o nome do Senhor, ela não será salva (Romanos 10.13-15). Assim, os condicionantes futuros não foram criados pelo livre-arbítrio indeterminista dos homens, antes são eventos que fazem sentido dentro da rede variada de conexões que Deus estabeleceu, de modo que um determinado evento não pode acontecer sem que outro tenha acontecido primeiro, por exemplo, não há sustento sem trabalho, não há salvação sem fé, etc. [8]

2.      A Simplicidade de Deus impede uma precedência lógica de Seu conhecimento de certa futurição em relação à Sua Vontade Decretiva [9]

       Novamente, a unidade absolutamente simples da essência da Deidade impede que a Providência divina esteja baseada na Onisciência de Deus, porque o conhecimento de Deus de certa futurição não pode ser logicamente anterior à Sua Vontade decretiva:

“Como Ser simples, a vontade e conhecimento de Deus estão coordenados. Ele conhece o que deseja e deseja o que conhece. Na realidade, Ele conhece eternamente o que deseja eternamente, e Ele deseja eternamente o que conhece eternamente. Um não é subsequente ao outro, tanto cronológica (visto que Ele é não-temporal e não preso pelo tempo) quanto logicamente (visto que Ele conhece intuitivamente e não consecutivamente.”[10]

       Não obstante, o cerne do problema no molinismo é o seu comprometimento com o libertarianismo libertário, de modo que a metafísica molinsita presume uma concepção indeterminista de liberdade quanto a sua realização [11]. Toda teoria metafísica precisa lidar com o problema “determinismo versus indeterminismo” que é uma das questões decorrentes do problema maior do uno e do múltiplo. Ao assumir um conceito libertário de livre-escolha, o molinismo prioriza mais o indeterminismo (múltiplo) do que o determinismo (uno). Sobre isso devemos levar em conta duas coisas:

1.      A Doutrina da Trindade nos impede de priorizar o indeterminismo: Ao afirmar que Deus é um em essência e três em pessoalidades, a teontologia trinitária ensina que o fundamento ontológico último de toda a metafísica do real é a igualdade fundamental entra a diversidade e a unidade, entre o uno e o múltiplo.[12]  Assim, o cristão não pode priorizar em sua metafísica do real nem a soberania divina (uno) a ponto de desprezar a responsabilidade humana (múltiplo), nem a liberdade humana (múltiplo) a ponto de limitar a soberania divina (uno). Tanto a liberdade e responsabilidade humanas, quanto a soberania e controle exaustivo de Deus devem ser afirmadas como verdades metafísicas igualmente fundamentais, pois sua base ontológica está na igualdade fundamental da unidade e da diversidade na Trindade. O Molinismo, ao entender os atos humanos livres como logicamente anteriores ao decreto no conhecimento divino, acaba por colocar a liberdade humana acima e independente da soberania de Deus, e não só isso, acaba por fazer a vontade decretiva dependente da liberdade humana. O conhecimento médio posiciona a liberdade humana acima da soberania divina e faz Deus ter de "consultar" os homens antes de tomar a decisão de qual mundo vai criar. Isso é absolutamente antibíblico (Jó 41.11; Isaías 40.13,14).[13] O molinismo não é uma metafísica apropriada do real, pois prioriza a multiplicidade acima da unidade.

2.      Um visão mais consistente de liberdade humana: Podemos definir livre-arbítrio como o poder de escolher tanto o bem, quanto o mal. Nesse sentido, Adão tinha livre-arbítrio, pois ele tinha poder tanto de obedecer a Deus quanto de desobedecê-Lo. No entanto, seu querer foi o mal.[14] Quando a Queda aconteceu, a humanidade perdeu o poder de fazer o bem espiritual (assim o homem não tem mais livre-arbítrio), mas permaneceu livremente e voluntariamente querendo o mal. Isso significa que quando alguém peca, ele está simplesmente fazendo o que quer. Nesse sentido, não é Deus quem efetua o pecado como causa imediata (Deus não é o Autor do Pecado[15] ), o mal moral é um ato livre da criatura. Mas como Deus decretou, desde a eternidade este ato, Ele o regula, ordena e controla [16]. Mesmo sem livre-arbítrio, pois não possuem em si mesmos poderes para fazer o bem, os homens agem livremente de acordo com suas vontades, pois só querem naturalmente o mal. Isso é o que chamamos de livre-agência:

“A liberdade dos seres humanos que a fé reformada ensina não é fictícia ou ilusória. Ela é real e verdadeira. Ela diz respeito aos atos voluntários que os seres humanos praticam. A liberdade da qual falamos tem a ver com a capacidade que os seres humanos possuem de fazer qualquer coisa que quiserem, de fazer o que lhes agrada, de fazer as coisas pelas quais eles têm predileção.”[17]

CONSIDERAÇÕES FINAIS

       O molinismo é uma filosofia incapaz de fornecer uma solução satisfatória para o problema da relação entre a responsabilidade humana e a soberania divina. Isso acontece porque o molinismo está comprometido com uma independência ontológica incompatível com a simplicidade da essência divina; com a noção de que o conhecimento divino é logicamente anterior à sua Providência, o que teontologicamente é impossível e; com uma visão de liberdade que ignora que o fundamento ontológico da metafísica do real é a igualdade fundamental entre a unidade e a diversidade da Trindade. A Fé reformada, com base no agostinianismo-calvinista, é capaz de conciliar de modo muito mais satisfatório a liberdade humana e a providência divina, pois as considera como verdades igualmente fundamentais na elaboração de sua metafísica do real. O motivo final para rejeitarmos a doutrina do conhecimento médio é que ela contradiz as Escrituras:

“Quem primeiro me deu, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.”Jó 41.11.
“Quem guiou o Espírito do Senhor, ou como seu conselheiro o ensinou?
Com quem tomou Ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe mostrasse o caminho do entendimento?”
­– Isaías 40.13,14.


[2] https://bereianos.blogspot.com.br/2015/11/quao-biblico-e-o-molinismo-parte-1.html
[3] Alguns molinistas observam que eles não dizem que Deus exerce sua Providência com base no seu conhecimento, mas sim através de seu conhecimento médio. A questão que eu me pergunto é se estamos tratando de mero jogo linguístico. Creio que o mais provável seja que a ideia de que a onisciência é a base do decreto é uma implicação lógica do molinismo, ainda que não seja assumida explicitamente.
[5] GEISLER, N. Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, p.590.
[6] GEISLER, N. Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, pp. 726-727.
[7] FERREIRA, F. & MYATT . Teologia Sistemática - VIDA NOVA,  207. pp. 340-341.
[9] http://bereianos.blogspot.com.br/2013/05/o-conhecimento-medio-parte-23.html No entanto: "A questão não diz respeito a coisas condicionais futuras necessárias, as quais nesta ou naquela dada condição só podem ocorrer (como: se o sol nascer, será dia; se Pedro se arrepender sinceramente será salvo), pois como são necessariamente enfeixadas com base na natureza da coisa ou na hipótese do decreto divino, estão sob o conhecimento natural de Deus (se a condição é apenas possível) ou sob o soberano (se é futura e decretada por ele). Antes, a inquirição se relaciona com as coisas contingentes condicionais futuras, as quais (sendo estabelecidas a condição) podem ocorrer e não ocorrer; por exemplo, se João fosse de Lutécia, ele falaria ou pecaria, etc. A pergunta é se podem ser certa e determinantemente conhecidas por antecipação em relação ao decreto de Deus; isso negamos.” “A questão não é se o conhecimento de coisas condicionais futuras está em Deus antecedendo o próprio decreto (pois nossos adversários não negam que determinado decreto geral preceda, pelo qual ele prescreveu produzir as causas secundárias e está pronto a propiciar à criatura pelo menos uma cooperação geral e indiferente, sempre que ele quis que aquela se determinasse a agir). Antes, a questão é se um decreto especial concernente a certa futurição desta ou daquela coisa precede de modo que Deus pode ver aquela coisa antecedendo esse decreto (nela própria ou em suas causas). Isso eles mantêm; nós negamos." – François Turretini (http://bereianos.blogspot.com.br/2013/05/o-conhecimento-medio-parte-23.html)
[10] GEISLER, N. Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, pp. 728.
[12] Essa tese é defendida na seguinte monografia: SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014
[14] CALVINO, J. As Institutas I.XV.8, pp. 195-196. Disponível em: http://www.protestantismo.com.br/institutas/joao_calvino_institutas1.pdf
[15] Confissão de Fé de Westminster, III.I. Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm
[16]  BERKHOF, L. (2012). Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, p. 68; Confissão de Fé de Westminster V.IV. Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A ANTROPOLOGIA CRISTÃ E O PROBLEMA MENTE - CORPO

      A relação entre o corpo e a alma tem sido tema de muitos debates teológicos. Historicamente na Teologia Cristã há três principais perspectivas principais sobre a relação alma-corpo: (i) Tricotomia: que vê o homem como constituído de três componentes. (ii) Dicotomia: que entende o homem como constituído de um componente material e outro espiritual e (iii) Holismo: entende o homem como tendo uma substância material (corpo) que é ativada por uma energia vital (espírito). Tais perspectivas buscam explicar quais os componentes que constituem a natureza humana.
      Os tricotomistas creem que o ser humano é formado de duas dimensões, uma física (corpo) e outra espiritual (alma e espírito). Para eles, o espírito e alma são distintos, sendo a natureza humana constituída de três componentes, a saber, espírito, alma e corpo. Para os tricotomistas, a alma é definida como os aspectos imateriais da mente, das emoções e da vontade resultantes da união entre o espírito e o corpo. Este último seria o componente mortal do homem, enquanto o espírito pode ser definido como componente imaterial do ser humano em que reside sua faculdade espiritual, inclusive a consciência. Para os tricotomistas, a alma é uma substância que está presente tanto no ser humano, quanto nos animais, estes últimos, porém, não possuem espírito. [1]
      Os dicotomistas, por sua vez, acreditam ser a natureza humana constituída de corpo e alma - espírito. Para eles, espírito, alma e mente são termos intercambiáveis, que não diferem em significado. Tanto o termo “espírito”, quanto o termo “alma” se referem a um mesmo elemento imaterial. Para os dicotomistas, a mente do homem é incorpórea, o que significa dizer que ela é de uma substância distinta do corpo. Alma ou espírito é a parte tanto emocional, quanto intelectual e espiritual do homem. Dessa forma, o “coração é intelectual”. Emoção e intelectualidade estão, para um dicotomista, ligadas de forma inextricável. [2]
       Por fim, temos a opinião holística sobre o ser – humano. Para os holistas, a alma é o homem enquanto ser vivo e, o espírito é a centelha da vida, a energia vital que vivifica o corpo, assim como a eletricidade acende uma lâmpada. Desse modo, há apenas uma substância ontológica no ser humano, e para que a vida (alma) exista, é necessário que a energia vital (espírito) esteja ativa no corpo humano. Do mesmo modo, alma e espírito não vivem sem um corpo, de modo que a morte é a cessação da existência. Esta posição é adotada por poucos cristãos, sendo mais comum nas seitas como nas Testemunhas de Jeová[3] e no Adventismo do Sétimo Dia[4].
      Há na Filosofia da Mente diferentes posições sobre a relação mente/corpo. Os materialistas reducionistas acreditam que mente e cérebro ou mente e corpo são idênticos: estados mentais são estados cerebrais. Para os dualistas de substância mente e corpo são duas substâncias distintas, já para o dualismo de propriedadeeles são duas propriedades de uma mesma substância. O funcionalismo entende que estados mentais são apenas um “modo de funcionamento” que não depende da estrutura na qual ocorre. Até mesmo máquinas podem pensar! O emergentismo entende que a mente emerge do cérebro assim como a solidez emerge do gelo. No entanto, no final das contas, tanto o materialismo reducionista, quanto o dualismo de propriedade, o funcionalismo e o emergentismo são antropologias materialistas, pois não admitem a presença de uma substância imaterial no homem.
       O mesmo pode ser dito em relação à antropologia holista. Ao considerar que o homem é apenas matéria (corpo) e energia (espírito), o holismo acaba caindo numa visão materialista da natureza humana. O materialismo, ao reduzir o homem a um amontoado químico e os pensamentos a um fluxo de elétrons, está em forte oposição à antropologia cristã que realça a dignidade humana e sua dimensão espiritual. Os cristãos entendem que o homem é mais do que um mero amontoado de células.
       Os materialistas assumem, por fé, uma série de pressuposições anticristãs. Presumem que a mente é material, que o fato de mente e cérebro funcionarem juntos significa que eles são a mesma coisa (ou que a alma é uma propriedade, funcionamento ou energia do cérebro) e supõem que duas substâncias de naturezas diferentes não podem interagir entre si. Quanto a este último ponto, na medida em que o material e o imaterial possuem coisas em comum (a existência, por exemplo), não há motivo para assumir uma postura materialista com base na suposição de que substâncias materiais e imateriais não podem se relacionar. [5]
       Enquanto o problema com o holismo é que ele desemboca em materialismo, o problema no tricotomismo está em fazer uma distinção entre a dimensão racional (mente – alma) e a dimensão espiritual. A implicação dessa distinção entre a alma e o espírito é a de que Deus não se relaciona com o homem através da mente racional, mas por meio de uma dimensão não-racional superior ao intelecto. Essa visão é inconsistente com a visão cristã de que a fé é racional. Os tricotomistas geralmente citam Hebreus 4.12 e 1 Tessalonicenses 5.23, mas o intuito desses textos é destacar aspectos do homem, não enumerar as substâncias que compõem a natureza humana.[6]
      Assim, a única visão coerente com uma perspectiva bíblica e cristã sobre o assunto, em oposição ao materialismo do holismo e à divisão fé/razão da tricotomia, é a de que o homem é composto por apenas duas partes, o corpo (a substância material) e a alma ou espírito (o elemento espiritual). Alma e espírito, na Bíblia, são termos que servem para designar o mesmo elemento espiritual sob dois pontos de vistas distintos. [7] 
      A dicotomia é o ponto de vista bíblico sobre o assunto. Lemos que a alma sobrevive à morte do corpo (Mateus 10.28), que o espírito se separa do corpo material na morte (Eclesiastes 12.7), que o homem possui corpo e espírito (1 Coríntios 5.5; 7.1, 34) e que sem o espírito o corpo está morto (Tiago 2.26). De igual modo assevera a Confissão de Fé de Westminster: “Os corpos dos homens, depois da morte, convertem-se em pó e vêm a corrupção; mas as suas almas (que nem morrem nem dormem), tendo uma substância imortal, voltam imediatamente para Deus que as deu.” (CFW 32.1)
        Além do mais, que somos corpo e alma, é uma verdade arraigada na nossa consciência. Esse é o senso comum dos homens [8]. Todo homem tem um “ego cogito” que transcende a matéria. Materialistas argumentam, no entanto, que a consciência universal do ego puro não passa de uma ilusão produzida pela constituição material do nosso cérebro. Esse argumento é autodestrutivo – se há ilusão logicamente tem de haver um “quem” (ego) a ser iludido. Independente da análise que façamos da matéria, sempre haverá um “ego” que transcende o objeto de análise. [9]
      Parece claro a partir deste esboço bíblico e filosófico que o homem é composto de alma e corpo, o que aproxima a antropologia cristã do “dualismo de substância” ou “dicotomia”. Foge ao escopo deste artigo afirmar mais do que isso, ou especular mais sobre essa natureza antropológica. Apesar da linguagem de “substância”, é necessário que purifiquemos esse conceito do hilemorfismo aristotélico e da ontologia essencialista grega. Embora se faça uso de tal terminologia filosófica, nossa compreensão da natureza humana pode e deve ser entendida com base na antropologia bíblica. Não é necessário retratar “mente” e “corpo” como duas entidades substancialistas que se interagem e é preciso asseverar que o homem é uma totalidade, uma unidade psicossomática. [10] Purificados tais conceitos das noções essencialistas da ontologia grega, suficiente será afirmar que o homem é corpo e alma conforme ensina a Escritura e a consciência comum dos homens.

FONTES:
[1] Stamps, D. Bíblia de Estudo Pentecostal. pp. 979-980.
[2] Cheung, V. Teologia Sistemática, pp.97-110. Disponível em:
[3] Testemunhas de Jeová. O que a Bíblia Realmente Ensina?Cesário Lange: Associação Torre de Vigia de Bíblia e Tratados,  2015. pp.208 – 211.
[4] White, E. O Grande Conflito, p.304.
[5] Geisler, N. Teologia Sistemática 1, pp. 680 - 681.
[6]  Ferreira, F. & Myatt. Teologia Sistemática, pp. 416 - 418.
[7] Berkhof, L. Manual de doutrina cristã, pp 93-94.
[8] Hodge, C. Teologia Sistemática, p. 526
[9] Geisler, N. Teologia Sistemática 2, p.45.

[10] Hoekema, A. A Pessoa Total, Tricotomia ou Dicotomia? Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/antropologia_biblica/tricotomia_hoekema.htm

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

COMO LIDAR COM SENTIMENTOS DE CULPA PELO PECADO?

 
       Ultimamente vivi um período difícil no que diz respeito a sentimentos de culpa. Isso exigiu de mim uma busca por respostas nas Escrituras. Tais respostas trouxeram conforto ao meu coração. Assim, resolvi redigir este artigo a fim de compartilhar aquilo que aprendi para que outras pessoas também encontrem na graça alívio para a consciência pesada. Vou discutir alguns versículos e algumas doutrinas que são de grande relevância ao se lidar com sentimentos de culpa.

A TRISTEZA PELO PECADO

       É possível perceber entre os cristãos dois exageros diante do pecado. Alguns cristãos se acostumaram com seus pecados, não tem mais esperança de vencê-los e se entregaram a eles. Já não sentem repugnância, nem lamentam seus erros. Cair e recair em pecados tornou-se algo que não os afeta, ou que não os afeta tanto assim. O cristão verdadeiro, por outro lado, entristece-se profundamente mesmo diante do menor pecado cometido e se mostra resoluto em abandoná-lo. Neste ponto é importante olhar para um versículo:

Provérbios 28.13
Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.”

        O arrependimento verdadeiro é evidenciado por uma firme resolução de não pecar novamente[1]. O cristão não está meramente decidido a pecar menos, nem a esperar que o tempo passe ou que alguma coisa aconteça para que ele pare de pecar. O cristão está decidido a não pecar mais. O verbo para “abandonar” no hebraico é “azab” e tem os significados de “afastar”, “renunciar”, “recusar”, “remover” e “deixar para trás”. [2] Isso não significa que o arrependimento verdadeiro só ocorre quando a pessoa não volta mais a cometer o mesmo pecado, mas sim que só há arrependimento verdadeiro quando a pessoa está decidida a não mais cometer o pecado do qual está arrependida.
         No outro extremo estão os cristãos que tem clareza da culpa pelos seus pecados, mas por outro lado, o perdão lhes parece distante e obscuro. Essa tristeza não os leva a abandonar seus pecados, na verdade geralmente tem o efeito contrário. A graça de Deus é tão obscurecida pela tristeza que a pessoa não encontra esperanças de que seu pecado possa ser removido e abandonado. Assim descreveu Spurgeon essa condição:

“A Graça está ali, é verdade, mas o Medo cega a melhor natureza, e fixa seu olhar somente no corpo dessa morte. Olhar para a velha natureza raramente é uma operação prazerosa, especialmente se esquecermos que ela foi crucificada com Cristo. Eu suponho que, se qualquer um de nós pudesse ver o seu próprio coração da maneira como ele realmente é, ele enlouqueceria.” Charles Spurgeon[3]

             As certezas bíblicas sobre o perdão de Deus devem sujeitar nossos sentimentos. Duas passagens bíblicas são de relevância neste ponto:

2 Coríntios 7.9
“A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte.”

       No seio da igreja de Corinto havia cristãos cometendo graves pecados. Até mesmo um irmão estava envolvido em um caso incestuoso e precisou ser disciplinado (1 Coríntios 5.1-13). Quando demonstrou genuíno arrependimento, Paulo orientou que a igreja deveria acolhê-lo “para que ele não seja dominado por excessiva tristeza.” (2 Coríntios 2.7).  As duras exortações de Paulo produziram tristeza nos coríntios (v.8) e essa tristeza serviu para o propósito de gerar arrependimento (v.9). Esse arrependimento, por sua vez, produziu zelo (v.10).
        Esse objetivo da tristeza pelo pecado também pode ser observado em Salmos 32.  Enquanto o pecado não é confessado, o coração do cristão se enche de tristeza (vv. 3,4), essa tristeza leva ao arrependimento e à confissão, de modo que a culpa do pecado é perdoada (v.5), isso, por sua vez, produz alegria (vv.1,2). A ordem que aparece nessas passagens é: (i) tristeza pelo pecado, (ii) confissão e arrependimento e (iii) alegria pelo perdão e zelosa dedicação à Deus. Assim, o sentimento de tristeza cumpre uma função específica – levar ao arrependimento e à confissão do pecado cometido. Após isso não há mais motivo para tristeza, mas sim para alegria. Paulo fala de outro tipo de tristeza diante do pecado, “a tristeza segundo o mundo” que produz remorso e morte. Essa é a tristeza que conduz à falta de fé no perdão de Deus [4]. Os cristãos devem lutar contra sentimentos de culpa e tristeza dessa natureza.

O ERRO DA AUTOPUNIÇÃO

        É comum o ódio pelo nosso pecado se converter em ódio a nós mesmos. A coisa mais difícil é aceitar que Deus graciosamente perdoa os nossos pecados. Sentimos uma necessidade de nos punir pelo que fizemos e fazemos isso nos ferindo com uma tristeza excessiva e desnecessária. Por que fazemos isso? O inciso II do capítulo VII da Confissão de Fé de Westminster pode esclarecer isso:

“O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras; nesse pacto foi a vida prometida a Adão e nele à sua posteridade, sob a condição de perfeita obediência pessoal.”[5]

       Este é o estado natural do homem – estar sob as exigências de um pacto de obras. Todo homem não regenerado está debaixo do pacto de obras e não pode cumpri-lo. Isso certamente é desesperador. Naturalmente os homens sabem que precisam ser severamente punidos. A situação dos cristãos, porém, é outra. Deus estabeleceu com eles um pacto de graça (CFW VII.III), ainda assim os cristãos naturalmente acabam agindo como se ainda estivessem sob um pacto de obras, pois esse é o estado original do homem. É importante dar uma olhada em outro versículo agora:

2 Coríntios 5.21
“Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus.”

         Jesus se tornou pecado por nós mesmo sem ter pecado. Isso significa que ele se tornou pecado não ontologicamente, mas sim por imputação, assim como nós nos tornamos justos, não ontologicamente (de fato continuamos pecadores), mas sim por imputação.  Uma ilustração pode esclarecer essa questão:
        Imaginemos uma escola em que os alunos para serem aprovados precisam ter a nota máxima.  Pensemos em dois alunos: o aluno A foi tão mal na prova que possui uma nota negativa. O aluno B foi perfeito e possui a nota máxima ( +10). Quando o professor vai declarar quem será e quem não será aprovado, o aluno B pede ao professor que a nota do aluno A seja imputada a ele e que a nota dele seja imputada ao aluno A. Assim, o aluno A é declarado aprovado como se tivesse a nota máxima, enquanto o aluno B recebe a reprovação que deveria ser recebida pelo aluno A por sua nota negativa. É isso que Paulo está dizendo, a nossa nota negativa (nossos pecados) foram imputados a Cristo, o qual pagou a penalidade que nos cabia, enquanto a justiça perfeita de Cristo foi atribuída a nós e, por isso Deus olha para nós como se nunca tivéssemos cometido um pecado sequer.
       Temos duas doutrinas importantes nesse verso. A primeira é a doutrina da expiação (“Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado”). Cristo sofreu vicariamente (em nosso lugar) toda ira e punição pelos nossos pecados e assim proveu o pagamento que satisfez a justiça de Deus[6]. Dessa forma, nem mesmo Deus nos pune por nossos pecados, pois nossos pecados já foram punidos em Cristo. Por isso, a autopunição é uma afronta à suficiência do sacrifício de Cristo: “Permitir-nos a auto depreciação, e o sentimento como que de pagar uma penitência para Deus pelo pecado, é uma tortura triste e errônea. É falsa, é uma opressão ímpia”[7]. A correção divina deve ser vista como uma disciplina amorosa e paternal na vida dos crentes, nunca como uma punição por seus pecados (Hebreus 12.7)[8].
        A outra doutrina presente no texto é a da justificação (para que nele nos tornássemos justiça de Deus.”). Somos objetivamente declarados justos com base na obediência perfeita de Cristo e nos apropriamos subjetivamente da justificação através da fé: “nos tornamos justos diante de Deus pela graça, por causa de Cristo, mediante a fé” (Confissão de Fé de Augsburgo, artigo 4)[9]. Diante do tribunal de Deus somos vistos como se nunca tivéssemos cometido um só pecado sequer [10]. Isso deve ser suficiente para banir o peso de qualquer culpa de nossos ombros. Não há consciência tão pesada que não possa ser aliviada por Cristo.

O SENTIMENTO DE HIPOCRISIA

       Como já vimos, o verdadeiro arrependimento produz zelo, dedicação e alegria. (Salmos 32.1-2; 2 Coríntios 7.10). Tristeza, remorso e culpa excessivos podem nos levar a um sentimento de hipocrisia que nos faça afastar da igreja, negligenciar as orações e nossos deveres espirituais. Podemos nos sentir muito impuros para orar ou fazer algo para Deus. Outras vezes queremos nos esconder de todos pelo sentimento de vergonha e hipocrisia. Um entendimento bíblico do que é hipocrisia pode corrigir isso. Vamos dar uma olhada em outro texto das Escrituras:

Romanos 2.21
“...então você, que ensina os outros, não ensina a si mesmo”

       Paulo fala da hipocrisia dos judeus. Eles se orgulhavam de ser o povo da lei (v.17), consideravam-se superiores (v.18) e instrutores iluminados (v.19, 20). No entanto, racionalizavam seus pecados. Diziam-se contra o furto, mas achavam que a desonestidade nas relações comerciais com os gentios não era pecado (v.21). Pregavam que o adultério era imoral, mas escusavam-no com uma doutrina falsa sobre o divórcio (Mateus 19.9). Condenavam a idolatria, mas consideravam correto o uso de artefatos idólatras para fins comerciais e não viam problemas em apropriar-se deles como saque (v.22). Desse modo, os judeus hipócritas davam mau testemunho levando as pessoas a blasfemarem contra Deus (v.24)[11].
        Assim, um hipócrita é alguém que (i) se orgulha soberbamente de sua santidade exterior; (ii) condena o pecado nos outros, mas não olha para seus próprios pecados (confira: Mateus 7.1-5); (iii) não considera seus comportamentos imorais como pecado, ao invés disso racionaliza-os e arruma desculpas para cometê-los sem que isso lhes afete a consciência e (iv) dão um mau testemunho levando os descrentes a blasfemarem contra Deus. Um pecador verdadeiramente arrependido não se encaixa nessas características e, portanto não deveria deixar que o sentimento de vergonha e hipocrisia prejudicasse seu zelo e sua dedicação a Deus.

DÚVIDAS SOBRE A PRÓPRIA SALVAÇÃO

      Todo cristão deve lutar para ter plena certeza da sua salvação de forma que possa servir melhor a Deus. Veja como o Catecismo Maior de Westminster trata essa questão na pergunta 81:

Têm todos os crentes sempre a certeza de que estão no estado da graça e de que serão salvos?
A certeza da graça e salvação, não sendo da essência da fé, crentes verdadeiros podem esperar muito tempo antes do consegui-la; e depois de gozar dela podem sentir enfraquecida e interrompida essa certeza, por muitas perturbações, pecados, tentações e deserções; contudo nunca são deixados sem uma tal presença e apoio do Espírito de Deus, que os guarda de caírem em desespero absoluto.[12]

Calvino escreveu:

“Nós, de fato, enquanto ensinamos que a fé deve ser certa e segura, não imaginamos alguma certeza que jamais possa ser tangida por alguma dúvida, nem uma segurança que não possa ser atingida por alguma inquietude; senão que, antes, dizemos que os fiéis têm perpétuo conflito com sua própria desconfiança. Tão longe está de que coloquemos sua consciência em algum plácido repouso, o qual não seja absolutamente importunado por nenhuma perturbação! Todavia, por outro lado, de qualquer maneira que sejam afligidos, negamos que decaiam e se apartem daquela segura confiança que conceberam da misericórdia de Deus.”[13]

       Em momentos de dúvidas quanto à nossa salvação devemos orar a Deus para que nos dê essa certeza (1 João 5.13-15). Um pecador arrependido que sente dúvidas quanto à sua própria salvação não precisa se desesperar:

“Há pessoas que não sentem fortemente a fé viva em Cristo, nem confiança firme no coração, nem boa consciência, nem zelo pela obediência filial e pela glorificação de Deus por meio de Cristo. Apesar disso elas usam os meios pelos quais Deus prometeu operar tais coisas em nós. Elas não devem se desanimar quando a reprovação for mencionada nem contar a si mesmos entre os reprovados. Pelo contrário, devem continuar diligentemente no uso destes meios, desejando ferventemente dias de graça mais abundante e esperando-os com reverência e humildade. Não devem se assustar de maneira nenhuma com a doutrina da reprovação os que desejam seriamente se converter a Deus, agradar só a Ele e serem libertos do corpo de morte, mas ainda não podem chegar no ponto que gostariam no caminho da piedade e da fé. O Deus misericordioso prometeu não apagar a torcida que fumega, nem esmagar a cana quebrada. Mas esta doutrina é certamente assustadora para os que não contam com Deus e o Salvador Jesus Cristo e se entregaram completamente às preocupações do mundo e aos desejos da carne, enquanto não se converterem seriamente a Deus.” Cânones de Dort 1.16[14]

CONSIDERAÇÕES FINAIS

       Acredito que as questões consideradas neste artigo são de grande relevância para se lidar com sentimentos de culpa e seus efeitos. O cristão deve ter em mente que nesse mundo ele progride gradualmente num processo de santificação. Cada cristão enfrenta uma luta diária contra suas tendências pecaminosas. Esse processo, embora seja de progresso, não é linear, de modo que cristãos genuínos podem cair mesmo em pecados graves nessa caminhada. Sempre que fracassar, o crente deve buscar o reconfortante e gracioso perdão aos braços do Pai e estar decidido a abandonar seus pecados (Hebreus 4.14-16; 1 João 1.9; 2.2; Provérbios 28.13). É dever e responsabilidade de todo crente fazer morrer tudo o que pertence à sua natureza terrena (Colossenses 3.5). Finalizo com uma declaração da Confissão de Fé de Westiminster:

“O mui sábio, justo e gracioso Deus muitas vezes deixa por algum tempo seus filhos entregues a muitas tentações e à corrupção dos seus próprios corações, para castigá-los pelos seus pecados anteriores ou fazer-lhes conhecer o poder oculto da corrupção e dolo dos seus corações, a fim de que eles sejam humilhados; para animá-los a dependerem mais intima e constantemente do apoio dele e torná-los mais vigilantes contra todas as futuras ocasiões de pecar, para vários outros fins justos e santos”. (CFW V.V)[15]


FONTES:

[1] Joel Beeke – A doutrina da eleição – o arrependimento: http://www.os-puritanos.com/single-post/2015/12/01/O-Arrependimento-%C2%BB-Joel-Beeke
[3] Charles Spurgeon – Lançai for a o medo: https://www.projetospurgeon.com.br/2012/01/lancai-fora-o-medo/
[4] Augustus Nicodemus – Arrependimento: https://www.youtube.com/watch?v=ODJrUrslZfs
[5] Confissão de Fé de Westminster: http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm
[6] Louis Berkhof (2012). Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, p. 63.
[7] Paul Maxwell – 7 Coisas a se fazer depois de olhar pornografia: http://reformados21.com.br/2016/07/18/7-coisas-a-se-fazer-depois-de-olhar-pornografia/
[8] Franklin Ferreira & Alan Myatt (2007). Teologia Sistemática - VIDA NOVA, p. 624.
[10] Stephen Kaung – Vendo Cristo no Evangelho: http://www.preciosasemente.com.br/artigo.php?id=154&secao=1
[11] Augustus Nicodemos – A Hipocrisia e Seus Efeitos: https://www.youtube.com/watch?v=HLSN6cAPMlk&t=39s
[13] João Calvino. Institutas III.II.17, pp. 41-42: http://www.protestantismo.com.br/institutas/joao_calvino_institutas3.pdf
[15] Confissão de Fé de Westminster: http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm