quarta-feira, 9 de novembro de 2016

ESBOÇO: DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DOUTRINA DA TRINDADE


        Relaciono algumas uma lista de ideias (tanto ortodoxas, como heréticas) acerca da doutrina da Trindade desenvolvidas ao longo da história. Como esta lista é apenas um esboço, coloquei apenas uma frase que sintetiza alguma ideia ou contribuição de cada pensador (ou concílio, etc.). Este esboço se baseia em um resgate histórico feito por Silva (2014):



Inácio de Antioquia (35 – 107): O Filho preexistia antes dos séculos.

Justino de Roma (100 – 165): O Filho é a Potência gerada pelo Pai.

Teófilo de Antioquia (116 – 186): Foi o primeiro a usar o termo grego para Trindade.

Irineu de Lyon (130 – 202): O Filho e o Espírito Santo são as “mãos” de Deus.

Atenágoras de Atenas (133 – 190): O Espírito é a emanação do Pai.

Tertuliano (160 – 220): O Filho e o Espírito são porções procedentes da substância total do Pai.

Orígenes (185 – 254): O Filho é Eterno, mas não é Deus em si mesmo.

Alexandre de Alexandria (250 – 326): O Pai sempre foi Pai do Filho e o Filho sempre foi Filho do Pai.

Ário (256 – 336): Houve um tempo em que o Filho não existia.

Concílio de Niceia (325): O Filho é consubstancial com o Pai.

Miahipostáticos (325): Grupo que afirmava que Deus é uma Hipóstase em uma Substância.

Arianos (325): Grupo que afirmava que o Filho é diferente do Pai em Hipóstase e em Substância.

Homoiousianos (325): Grupo que afirmava que o Filho é de substância semelhante ao Pai.

Homoianos (325): Grupo que afirmava que o Filho é semelhante ao Pai.

Homoousianos (325): Grupo que afirmava que o Filho é da mesma substância que o Pai.

Marcelo de Ancira (285 – 374): O Reino do Filho teria um fim quando Ele entregasse o Reino ao Pai.

Atanásio de Alexandria (296 – 373): O Filho é o Deus Eterno e Salvador, consubstancial com o Pai.

Gregório de Nazianzo (329 – 390): O Espírito Santo é consubstancial com o Pai e com o Filho.

Basílio de Cesareia (330 – 379): O Espírito Santo é um ser Onisciente, Onipresente e Onipotente.

Agostinho (354 – 430): O Espírito Santo é o Amor que une o Pai e o Filho.

Concílio de Constantinopla (381): O Filho é consubstancial com o Pai e o Espírito procede do Pai.

Boécio (480 – 525): Cada Pessoa da Trindade é uma substância individual de uma natureza racional.

João de Damasco (676 – 749): O Espírito Santo procede somente do Pai e repousa no Filho.

Anselmo de Cantuária (1033 – 1109): O Espírito Santo procede do Pai e do Filho por uma espiração única.

Roscelino (1050 – 1125): As três Pessoas da Trindade são três seres em um só nome.

Gilberto de Poitiers (1070 – 1154): Faz uma distinção entre “Deus” e “Divindade”, sendo a Divindade aquilo que faz Deus ser Deus.

Bernardo de Claraval (1090 – 1153): Deus não tem Divindade, Ele é a Divindade e a Divindade é Deus.

Pedro Lombardo (1100 – 1160): O Pai gera o Filho na medida em que é distinto das outras pessoas em termos de relação

Ricardo de São Vítor (1110 -1173): Só a Trindade pode ser a expressão suprema do amor perfeito.

Joaquim de Fiori (1135 – 1202): O Pai gera o Filho na medida em que é idêntico com a substância divina.

Concílio de Latrão (1215): Na geração e na procedência há comunicação de essência.

Boaventura de Bagnoregio (1217 – 1274): Na Trindade há duas procedências, uma ativa (geração) e uma passiva (espiração).

Tomás de Aquino (1225 – 1274): Cada Pessoa da Trindade é uma relação subsistente no Ser de Deus.

Concílio de Lião (1274): Declara como dogma a crença de que o Espírito procede do Pai e do Filho.

Gregório de Palamas (1296 – 1357): O Espírito procede somente do Pai no nível da essência, mas procede do Pai e do Filho no nível da energia.

Concílio de Florença (1439 – 1442): O Filho recebeu do Pai que o Espírito dele proceda.

João Calvino (1509 – 1564): A essência divina do Filho não é comunicada pelo Pai, mas é adverbialmente autoexistente.

Zacarias Ursino (1534 – 1583): A essência do Pai é comunicada ao Filho de modo que oFilho não tem a essência divina de simesmo.

Lucas Trelcatius (1542 – 1602): O Pai dá ao Filho, não a essência, mas o modo de ser.

François Turrenti (1623 – 1687): O Filho é Deus de si mesmo com respeito a sua essência e não com respeito a sua pessoa.

Confissão de Fé Belga (1561): Embora as pessoas da Trindade sejam distintas, Deus não está dividido em três.

Segunda Confissão Helvética (1566): Condena os antitrinitários como hereges.

Johannes Maccovius (1588 – 1644): O Filho é gerado intraessencialmente, não para fora do Pai.

Confissão de Fé de Westminster (1648): Apresenta as distinções entre as pessoas divinas em termos de relações de origem.

George Bull (1643 – 1710): Só Deus Pai é autoexistente.

Alex Röell (1653 – 1718): O Filho é autoexistente e autosubistente, não sendo gerado pelo Pai.

Friedrich Schleiermacher (1768 – 1831): Jesus possui essência divina, não no sentido de ele ser Deus, mas no sentido de que ele, desde o início, tinha consciência de Deus.

Georg Hegel (1770 – 1831): A Trindade é uma dialética, na qual o Pai (a tese) em conflito com o Filho ( a antítese) produz o Espírito (a síntese) que se materializa na História.

Charles Hodge (1797 – 1878): Existe uma subordinação entre as pessoas divinas no modo de subsistência e operação.

Archibald Hodge (1823 – 1886): A ideia de comunicação de essência do Pai ao Filho parece mais uma explanação de um fato revelado do que um fato revelado.

Benjamin Warfield (1851 – 1921): Jesus é chamado “Filho de Deus” apenas no sentido de ser igual a Deus.

Herman Bavinck (1854 – 1921): A doutrina da comunicação da essência do Pai ao Filho é fundamental para a criação.

Surgei Bulgakov (1871 – 1944): O Filho é gerado do Pai e do Espírito.

Louis Berkhof (1873 – 1957): O Pai é a base da subsistência pessoal do Filho e comunica ao Filho a essência divina completa.

Karl Barth (1886 – 1968): A Trindade é a base da revelação, sendo o Pai, o Revelador, o Filho, a Revelação e o Espírito, a Revelatura.

Cornelius Van Til (1895 – 1987): Uma vez que Deus é um Ser pessoal, Deus é tanto três pessoas como uma Pessoa.

Karl Rahner (1904 – 1984): A Trindade Econômica é a Trindade Imanente e a Trindade Imanente é a Trindade Econômica.

Thomas Torrance (1913 – 2007): O Espírito Santo procede da substância da Trindade, de modo que é correto dizer tanto que o Espírito procede do Pai e do Filho, quanto que Ele  procede do Pai através do Filho.

Jürgen Moltmann (1926 -): A Trindade é uma família, cuja unidade se baseia, não numa essência, mas é constituída pelo Pai, centrada no Filho e iluminada pelo Espírito.

Thomas Smail (1928 – 2012): O Filho é eternamente gerado do Pai através do Espírito.

Robert Jenson (1930 - ): A Trindade é um evento de três identidades.

George Knight III (1931 - ): Embora iguais em essência, o Filho é eternamente submisso ao Pai na Trindade Imanente.

Bruce Ware (1953 - ): Por causa da ordem das pessoas na Trindade, a oração só é corretamente dirigida ao Pai.

Brannon Ellis (2012): A essência e as pessoas são igualmente fundamentais em Deus.



Fonte: SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014.


Nenhum comentário: