COMO REAGIR A INSULTOS?


David Mathis

       O antigo ditado “O que vem debaixo não me atinge” não está em sintonia com o ensino das Escrituras. Palavras podem machucar, mesmo quando enviadas por um perfil online desconhecido. Deus criou um mundo no qual as palavras são poderosas. “A morte e a vida estão no poder da língua” (Provérbios 18.21). E como o discurso público "abaixa de nível" na era digital, Deus não nos deixou sem um guia sobre como responder à dor quando somos perseguidos por palavras.
       Folheie o Novo Testamento, e você encontrará ataques verbais contra Jesus, contra seus apóstolos e contra sua igreja em quase todas as páginas. Às vezes, esses ataques evoluem para o nível de perseguição física - como no apedrejamento de Estevão, no martírio de Tiago, nas prisões de Pedro e Paulo, na crucificação de Cristo - mas o que permanece constante e significativo é uma torrente de perseguição verbal contra Jesus e seu povo. E a perseguição verbal não deixa de ser perseguição por ser verbal.
      
VOCÊ JÁ FOI INSULTADO?

       "Calúnia" e "insulto" são duas das principais palavras usadas para falar do ataque verbal no Novo Testamento, e ambas ocorrem com frequência. Os primeiros cristãos estavam tão acostumados a ser atacados que desenvolveram um vocabulário rico (se é que podemos chamar assim) sobre ser caluniado, injuriado, difamado, ridicularizado e maltratado (pelo menos seis verbos gregos diferentes, juntamente com vários substantivos e adjetivos). O termo insulto pode ser o menos comum no uso normal de hoje. Um dicionário o define como “criticar de maneira abusiva ou agressiva”.
       Para tirarmos conclusões a partir de textos bíblicos específicos, vemos que insultar pode significar "falar mal contra alguém" (Mateus 5.11; Marcos 9.39; Atos 19.9; 23: 4); é o oposto de honrar alguém verbalmente (Marcos 7.10). O insulto é uma tentativa de ferir com palavras (1 Pedro 3.16). Vemos isso na crucificação de Jesus, onde “aqueles que passavam zombavam dele” com suas palavras, e os principais sacerdotes, escribas e anciãos “zombavam dele”, e “os ladrões que foram crucificados com ele também o insultaram da mesma forma.” (Mateus 27.39–44).
       Mas Jesus não apenas suportou ser atacado; Ele também nos preparou para isso. Ele e seus apóstolos, e a igreja primitiva, nos dão exemplo de como receber e responder a difamações e insultos.

1. Espere do mundo o pior:
       Em meio a esse rico vocabulário de ataque verbal, o Novo Testamento não dá sinais de que talvez os cristãos serão difamados. Nós vamos ser. Tanto judeus quanto gentios bombardearam Jesus e seus discípulos com ataques verbais. A perseguição física veio e se foi, mas o insulto permaneceu constante.
        Quando Paulo chegou a Roma, os judeus relataram a ele, sobre o Cristianismo: "Com relação a essa seita, sabemos que em toda parte se fala contra ela" (Atos 28.22). Para os cristãos, ser insultado não é uma questão de "se", mas de "quando": "quando falarem contra você" (1 Pedro 2.12). Os incrédulos “ficam surpresos quando você não se junta a eles na mesma torrente de imoralidade” - então o que eles fazem? “Eles te maltratam” (1 Pedro 4.4).
         Afinal, não deveríamos esperar que o mundo, sob o poder do diabo (1 João 5.19; Efésios 2.2), mentisse a respeito de nós? O termo grego para diabo (diabolos) significa, na verdade, caluniador (1 Timóteo 3.11; Tito 2.3). Como Jesus disse àqueles que o insultavam "Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele, porque é mentiroso e pai da mentira." (João 8.44)

2.Considere a causa (motivo) do insulto:
       Não devemos supor que toda oposição verbal que recebemos seja boa. Ser insultado por causa de Jesus e por seu evangelho é uma coisa; ser insultado por nossa própria loucura e pecado é outra (1 Pedro 3.17; 4.15-16). Na medida em que depende de nós, queremos “não dar ao adversário ocasião para difamação” (1 Timóteo 5:14). A difamação em si não é uma vitória para a igreja. Queremos fazer o que pudermos, com razão e sem compromisso, para impedir que o nome, a palavra e o ensino de Deus sejam ofendidos (1 Timóteo 6. 1; Tito 2.5). "Não deixe que o que você considera bom seja considerado mau" (Romanos 14.16). Mas quando o mundo fala mal de nós por causa de Jesus, nós aceitamos isso. “Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês.” (1 Pedro 4.14).

3. Não insulte de volta:
       O chamado de Cristo para sua igreja é cristalino: não responda à altura. Não se rebaixe ao nível daqueles que te insultam. “Mantém a tua conduta honrosa” (1 Pedro 2.12). “Não fale mal de ninguém” (Tito 3.2), incluindo aqueles que falaram mal de você. Não se torne um vigilante verbal, mas “entregue-se àquele que julga justamente” (1 Pedro 2.23). E como seus remidos provam a alegria de andar em seus passos! "Quando ele foi insultado, ele não insultou de volta" (1 Pedro 2.23).
       Paulo de igual modo disse: “Quando somos insultados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, oramos”(1 Coríntios 4.12-13). Assim também Pedro nos ordena a responder “com brandura e respeito, tendo uma boa consciência, para que, quando você for caluniado, aqueles que insultaram por seu bom comportamento em Cristo possam ser envergonhados” (1 Pedro 3.15–16). Quando nós não "insultamos de volta", nós fazemos aqueles que nos insultam passarem vergonha.
        Os cristãos não respondem à altura. Perdemos a batalha e minamos nossa comissão, quando permitimos que os críticos nos transformem em pessoas que insultam. E não é apenas uma questão de estratégia, mas de vida ou morte em sentido espiritual. “Os difamadores”, adverte 1 Coríntios 6.10, “não herdarão o reino de Deus”, e os cristãos são instruídos a “não se associar com alguém que leva o nome de irmão se ele é... um caluniador ”(1 Coríntios 5.11). Cristo espera, até exige, que nosso discurso seja diferente do discurso do mundo, mesmo quando respondemos às palavras do mundo.

4. Salte de alegria.
        Saltar de alegria? Isso pode parecer muito acima do esperado. Será que não podemos simplesmente seguir as nossas conclusões sobre o que dizem os apóstolos em Atos 5.41? "Eles deixaram a presença do concílio, regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer desonra pelo nome". Amém, regozije-se. Sim. As próprias palavras de Jesus no Sermão da Montanha nos guiam: "Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês" (Mateus 5.11–12). Mas Lucas 6.22-23 não fala simplesmente da alegria:

"Bem-aventurados serão vocês, quando os odiarem, expulsarem e insultarem, e eliminarem o nome de vocês, como sendo mau, por causa do Filho do homem. Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a recompensa de vocês no céu. Pois assim os antepassados deles trataram os profetas."

        Se você está apenas se regozijando em Deus no fundo, ou encontrando os meios emocionais, no Espírito, para "pular de alegria", o ponto é claro: Quando os outros desonram você, e excluem você, e proferem todos os tipos de maldade contra você e mesmo que repudiem seu nome como sendo mau - e isso por conta de Jesus, não por conta de sua própria insensatez - isso não é novidade, e você não está sozinho (“assim fizeram seus pais aos profetas”). Você tem uma grande causa de alegria. Se alguém te maldiz por causa de Jesus, isso significa que você está com ele! E você o conhecerá mais a medida em que compartilha da perseguição verbal que ele suportou (Filipenses 3.10).

5. Abençoe:
       Há mais uma possibilidade chocante para os cristãos, ainda mais surpreendente do que pular de alegria: "Não retribuam mal com mal, nem insulto com insulto; pelo contrário, bendigam; pois para isso vocês foram chamados, para receberem bênção por herança." (1 Pedro 3: 9).
       Este é, de fato, o espírito de Cristo e dá o mais impressionante testemunho do Espírito de Cristo operando em nós. A graça e o poder de Deus não apenas nos permitem esperar e avaliar o insulto, e a não responder à altura, mas até mesmo se alegrar, e também a retribuir o insulto com bênção. Isto é ser imitador de Cristo. Esta é a maturidade cristã (Mateus 5.48). Isso reflete o coração magnânimo de nosso Pai no céu (Mateus 5.45). Este é o amor ao inimigo ao qual Jesus não apenas nos chama, mas trabalha em nós pelo seu Espírito. “Ame seus inimigos e ore por aqueles que te perseguem” (Mateus 5:44).

Em Cristo, nos encontramos abençoados quando merecemos ser amaldiçoados. Viemos a conhecer um Pai que não insulta aqueles que humildemente o procuram (Tiago 1. 5). Quando somos insultados, agora temos a oportunidade de abençoar os caluniadores indignos, assim como fomos abençoados de cima - e seremos ainda mais abençoados por fazê-lo (“para receberem bênção por herança” - 1 Pedro 3: 9).

      A avalanche de insultos nos nossos dias não é apenas um obstáculo a ser suportado. É uma oportunidade para o progresso do evangelho - e para uma alegria mais profunda.

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Autor: 
David Mathis
Tradução: Bruno dos Santos Queiroz.
 Publicação em português autorizada pelo Desiring God.



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