sexta-feira, 20 de maio de 2016

A VISÃO HISTÓRICA DA IGREJA SOBRE A BÍBLIA

       Cremos que a visão histórica dos grandes homens de Deus sobre a Bíblia é importantíssima para uma teologia ortodoxa sobre as Escrituras, ainda que esses homens não sejam inerrantes. As verdades reveladas por Deus, não podem ser “crenças alternativas” que surgem der repente, antes, nas verdades essências a Igreja sempre creu assim. Nesse sentido, é importante vermos a posição da Igreja Histórica sobre a Bíblia:

- Epístola do Pseudo-Barnabé (70-130): Afirma a inspiração do Evangelho de Mateus.

- Epístola aos Coríntios de Clemente de Roma (95-97): Afirma a inspiração dos Evangelhos sinópticos, do Novo Testamento e dos escritos de Paulo.

- Epístola aos Filipenses de Policarpo (110-135): Cita várias passagens do Antigo e do Novo Testamento como “Escritura”.

- Papías (130 – 140): Inclui o Novo Testamento como “Oráculos do Senhor”.

- Justino Mártir (falecido em 165): Se referiu ao Pentateuco e aos Evangelhos como inspirados.

- Tatiano (110-180): Chamou João 1.5 de “Escritura” e escreveu uma harmonização dos Evangelhos.

- Irineu (130-202): Proclamou a fé nas Escrituras e na Tradição.

- Clemente de Alexandria (150-215): Considerava o Antigo testamento e o Evangelho como “Escrituras” igualmente inspiradas.

- Tertuliano (160-220): Apoiava a inspiração tanto do Antigo Testamento quanto dos escritos apostólicos.

- Hipólito (170-236): Reverenciava as Escrituras Sagradas como inspiradas pelo Espírito de Deus.

- Orígenes (185-254): Acreditava nas Escrituras  como escritas pelo Espírito de Deus.

- Cipriano (185–254): Considerava tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento como “Escrituras Divinas”.

- Eusébio de Cesareia (263–340): Foi um grande defensor das Sagradas Escrituras, tanto do Antigo, quanto do Novo Testamento.

- Atanásio de Alexandria (263-340): Se referiu ao Novo Testamento como cânon e fonte de salvação e considerava as Escrituras como autoridade final.

- Cirilo de Jerusalém (315-386): Considerava Escritura (“doutrina completa da f´é”), todos os livros da Bíblia, com exceção do Apocalipse.

- Ambrósio de Milão (340-397): Cita Mateus, João e 2 Coríntios como “Escrituras”.

- Jerônimo (340-420): Dedicou-se a tradução da Bíblia e concebia todo o Novo Testamento como inspirado.

- Escola Siríaca de Antioquia – João Crisótomo (347-407), Teodoro de Mopsuéstia (350-428): Consideravam o Espírito Santo como provedor do ‘conteúdo’ da revelação e o profeta como aquele que dava ‘forma’ adequada à revelação, mas admitiam a possibilidade de discrepâncias menores nesta forma humana.

- Agostinho de Hipona (354-430): “Aprendi a render respeito e honra somente aos livros canônicos das Sagradas Escrituras: somente destes acredito firmemente que os autores estavam completamente livres de erro...Se ficarmos perplexos com qualquer contradição aparente nas Escrituras, não nos é permitido dizer: o autor deste livro está enganado; mas, antes, ou se trata de uma falha no manuscrito, ou a tradução é ruim, ou você não compreende bem o que está lendo.”

- Gregório I, o Grande (560-604): Escreveu ‘Comentário sobre Jó’ e se referiu a Hebreus 12.6 como Escritura.

- Anselmo de Cantuária (1022-1109): “E o próprio Deus-Homem originou o Novo Testamento e aprovou o Antigo.”

- Vitorinos - Hugo, Ricardo e André (séc. XII): Seguiam uma abordagem histórica e literal na interpretação bíblica.

- Tomás de Aquino (1225-1274): “Deus é o Autor das Sagradas Escrituras”; “É herético dizer que qualquer tipo de engano possa estar contido tanto nos Evangelhos quanto em qualquer outra Escritura canônica” “Somente as Escrituras canônicas são normativas para a fé”. Acreditava não numa inspiração mecanicista, mas que Deus (a Causa primária) ativa o potencial do homem (causa secundária).

- Martinho Lutero (1483-1546): “[A Palavra de Deus] é muito semelhante a ele mesmo, no sentido em que a Trindade está totalmente dentro dela, e aquele que tem a palavra, tema totalidade da Trindade” “Precisamos conhecer o que cremos, a saber, o que diz a Palavra de Deus, e não o que o papa ou algum padroeiro cria ou diz.” “[Se cressem que as Escrituras são palavras de Deus] respeitariam estas palavras e estes títulos como maiores do que o mundo inteiro; temeriam e tremeriam diante deles, como se estivessem diante do próprio Deus.” “Nada além da Palavra de Deus deve ser pregado à Cristandade.” “Meu amigo, a Palavra de Deus é a Palavra de Deus, quanto a isso, não temos muito a negociar.” Não obstante, Lutero tinha dificuldades com a extensão do cânon a Tiago, Apocalipse, Ester e Hebreus.

- João Calvino (1509-1564): “A Bíblia desceu até nós da boca de Deus” “Devemos às Sagradas Escrituras a mesma reverência que devemos a Deus” “[As Escrituras são] a regra segura e inerrante da fé cristã” “... cada uma das palavras que procedem dele [de Deus] são sacras, são verdade inviolável”.

- Úlrico Zuínglio (1484-1531): “[As Sagradas Escrituras] são consideradas inspiradas por Deus”.

-  Confissão de Gália (1559): “Cremos que a Palavra contida nestes livros procedeu de Deus, e recebeu a sua autoridade dele somente, e não de homens”.

- Jacó Armínio (1560-1609): “[A] autoridade da palavra de Deus, que é composta do Antigo e do Novo Testamento, jaz tanto na veracidade da íntegra da narrativa, de todas as declarações, sejam elas referentes ao passado, ao presente, ou às coisas vindouras, quanto no poder dos mandamentos e das proibições, que estão contidas na palavra divina”.

- Sínodo de Dort (1618-1619): “Esta Palavra de Deus não foi enviada, nem entregue, pela vontade de homens, mas homens santos foram inspirados pelo Espírito Santo”.

- Confissão Belga (1561): “Portanto, rejeitamos de todo o nosso coração tudo aquilo que não concorde com esta regra infalível”.

- Trinta e Nove Artigos da Religião da Igreja da Inglaterra (1571): “As Sagradas Escrituras contém todas as coisas necessárias à salvação.”

- Confissão de Fé de Westminster (1647): “A autoridade da Escritura, por qual razão deve ser crida e obedecida, repousa... inteiramente sobre Deus (que é Ele próprio a verdade), o Autor dela” “À Escritura, nada, em qualquer tempo deve ser acrescentado” “O juiz supremo, por meio do qual todas as controvérsias da religião devem ser determinadas e todos os decretos de concílios, opiniões de escritores antigos, doutrinas de homens, e sentidos particulares, devem ser examinados e sobre cuja sentença repousamos, não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.”

- John Wesley (1703-1791): “As Escrituras contêm tudo que é necessário para a salvação... Entende-se por Santas Escrituras os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento, de cuja autoridade nunca se duvidou na Igreja”.

- Adam Clarke (1760–1832): “[As Sagradas Escrituras são] a única composição completa de fé e prática dos seres humanos”.

- Richard Watson (178–1833): “Os santos escritores compuseram suas obras sob uma influência tão plena e imediata do Espírito Santo, que se pode considerar que, através deles, Deus falou aos homens, e não meramente que eles falaram aos homens em nome de Deus, e pela sua autoridade.”

- Confissão de Filadélfia (1742): “A Sagrada Escritura é a única, suficiente, segura e infalível regra para o conhecimento pleno da salvação, da fé e da obediência”.

- Declaração de Fé de New Hampshire (1833): “[A Bíblia Sagrada] é e continuará a ser, até o final dos tempos, o centro verdadeiro da união cristã, e o padrão supremo pelo qual todas as condutas, crenças e opiniões humanas devem ser testadas”.

       Portanto, cremos e confessamos, juntamente com os grandes cristãos ao longo da história, que a Bíblia tem origem divina, é um livro humano, é autoritativa e é inerrante. “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça” (2 Timóteo 3:16) “Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:20,21).

Fonte: GEISLER, Norman. Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2015.



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