O QUE FAZER SE ME SINTO SEMPRE INSATISFEITO COM A IGREJA?



Quebrando o Ciclo de Insatisfação

       Vivemos em uma época de constante insatisfação. Devido à nossa conexão digital e ao acesso a tudo o tempo todo, nunca estivemos mais conscientes de “outras opções” à nossa disposição e do quanto fazemos comparações com o que queremos (ou com o que o Instagram ou o Facebook revela que os outros têm). Além disso, a natureza profundamente enraizada do consumismo nos diz que não devemos nos conformar com o que temos, mas sempre lutarmos para termos mais e por algo melhor. E então vivemos num constante estado de instabilidade pessimista, de hiperatividade sobre o que poderia ser melhor para nós e sobre o que poderia nos tornar mais felizes e mais confortáveis.
       Essa atitude está em toda parte, inclusive em nossas igrejas. A maioria de nós pode contar de um sentimento de instabilidade e de se sentir um pouco insatisfeito em nossas igrejas. Os motivos são múltiplos. Os pastores nunca parecem falar dos assuntos atuais que ocupam sua mente e agitam seu coração. O grupo de louvor sempre acrescenta adições contemporâneas irritantes a hinos antigos perfeitamente bons. Suas sugestões para projetos de justiça social ou programas de pequenos grupos nunca ganham impulso. Tudo sobre a igreja é tão previsível. É toda semana a mesma coisa. A igreja não parece ter relevância em relação ao que o mundo tem vivido, ao menos é o que lhe parece.
       Esses sentimentos de frustração são agravados pela mídia, que constantemente nos bombardeia com imagens e ideias e outros estímulos que são dinâmicos e estão sempre mudando. Qualquer igreja pareceria sufocante e chata se comparada com a mídia! Além disso, a natureza das mídias sociais é predominantemente negativa, condicionando-nos a ver o mundo através das lentes de murmuração e reclamação. Naturalmente, levamos essas lentes para dentro da igreja. Nós temos olhos para ver o que está errado, mas não temos paciência para refletir na bondade do que está certo. O que começa como pequenas picuinhas logo cresce em nossas mentes ao longo do tempo, se tornando uma bola de neve de murmurações que podem se tornar empecilhos. Aos poucos vamos nos desanimando com a igreja, estando nela como em um lugar de amargura e raiva, ou simplesmente a deixamos.
       Como quebrar esse ciclo? Ao invés de deixar que a insatisfação nos leve ao ponto de deixarmos a igreja ou ficarmos amargurados, o que podemos fazer para lidar com nossas frustrações?

1. Examine seu coração
       A “cultura da murmuração” disseminada na atual era da internet tem nos levado a focar nossa raiva e frustração externamente, lançando a culpa sobre determinada pessoa ou instituição pelas coisas que estão erradas. Mas e quanto a nós? Que papel tem o nosso próprio pecado em relação ao nosso estado de insatisfação? Será que o problema não está em nossa abordagem autocentrada? Talvez devêssemos começar onde G.K. Chesterton começou quando respondeu, com uma simples palavra, à questão: “O que há de errado com o mundo? Eu!”.

2. Foque em Deus.
       Às vezes, ficamos tão envolvidos em detalhes pequenos da Igreja que nos esquecemos do que ela se trata. Nós não precisamos nos sentir confortáveis, nem precisamos ter nossas preferências atendidas. Estamos na igreja para adorar a Deus; para ouvir sobre ele; para proclamar a sua glória e descansar em sua bondade. Adotar essa postura pode nos conduzir em um longo caminho em suavizar nosso nervosismo em relação a igreja. Não olhe para dentro de si na adoração, remoendo a amargura em seu coração. Também não olhe ao seu redor, buscando falhas naquilo que seus irmãos de igreja ou líderes estão fazendo. Olhe para Deus. Foque seu olhar nele. É para isso que você está na igreja.

3. Converse com seus líderes.
       Outro modo infeliz em que as mídias sociais estão nos transformando é que ela coloca nossas reclamações de maneira distante, anônima e descontextualizada. Nós expomos nossas reclamações com a facilidade de um tweet, protegidos atrás de uma tela e a distância, mas raramente fazemos a tarefa mais difícil de resolver as coisas pessoalmente, por meio de conversas mais longas, com mais nuances e de forma mais cortês. Mas isso é crucial em uma comunidade eclesiástica. Se você tem problemas ou reclamações em relação à igreja, fale pessoalmente com seus líderes. E-mails não são os melhores meios. Textos são piores. Peça-lhes uma reunião, uma onde você ouça tanto quanto possa falar. Coloque seus problemas não como exigências ou críticas, mas como observações e sugestões. E aborde tudo em um espírito de amor e edificação. Não é sobre você e seu conforto; é sobre você enquanto um membro que procura fortalecer todo o corpo.

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Trecho do livro: “Uncomfortable: The Awkward and Essential Challenge of ChristianCommunity” publicado originalmente em Crossway.org. Usado com permissão.

Tradução: Bruno dos Santos Queiroz.

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