SEJA VERDADEIRO CONSIGO MESMO

      Jon Bloom

Deus se compraz quando a verdade reina no íntimo do nosso ser (Salmos 51.6).
       Mas eu nem sempre me comprazo na verdade. É certo que eu deveria me comprazer nela, mas, para ser honesto, eu não o faço. Às vezes minha sensação em relação à busca pela verdade é similar ao que eu sinto em relação à busca por um dentista. A verdade pode (ou pode ser que eu já saiba que ela fará isso) revelar algo que está podre. O que está podre precisa ser removido assim como se remove um dente podre. E quem quer isso?
        Bem, se sou uma pessoa sábia, eu deveria querer isso. Mas a sabedoria nem sempre é a voz mais persuasiva na minha cabeça. Às vezes, o meu orgulho é a voz mais persuasiva. E meu orgulho é tudo, menos sábio. Quando meu orgulho está falando comigo, ele me encoraja a buscar meus interesses egoístas acima dos interesses de Deus. Sendo mais direto, meu orgulho prefere mais uma ilusão enganosa de autopromoção, de autoexaltação ou de autoproteção do que a reveladora, humilhante, mas, por fim, misericordiosa e libertadora verdade de Deus – isso é uma completa tolice, já que significa preferir mais a destruição da minha maior alegria do que a busca por ela.
       Logo, a desonestidade é quase sempre uma forma de orgulho. A menos que tenhamos como objetivo algo como esconder judeus da Gestapo (a polícia secreta nazista), ou esconder vítimas de traficantes de pessoas ou esconder uma criança de um abusador, não existe razão para sermos desonestos, a não ser controlar e manipular a percepção de alguém visando nossos próprios interesses egoístas.
       O orgulho prefere o engano à verdade, e não percebe, que ao fazer isso, prefere a destruição. Mas Deus anseia pela verdade no íntimo do nosso ser, pois Ele sabe que Sua verdade verdadeiramente nos libertará (João 8.32).

DEUS AMA A HONESTIDADE
        Deus é a verdade (João 14.6), logo, Ele ama a honestidade. É por isso que Ele nos diz (por meio de Davi): “Bem-aventurado o homem... em cujo espírito não há dolo.” (Salmo 32.2). Davi conhecia a bem-aventurança da honestidade e a miséria da desonestidade. Ele escreveu:

“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.” – Salmos 32.3-5

       Enquanto Davi foi desonesto perante Deus e os homens, isso foi como uma grave enfermidade. Quando ele foi transparente perante Deus e os homens, isso foi saúde e refrigério para sua alma.
        Isto é o que Deus quer que tenhamos: saúde e refrigério para nossas almas. É uma grande misericórdia quando Deus pesa sua mão sobre nós por estamos vivendo desonestamente. E, quanto mais caminhamos com ele, mais rigorosamente ele exige que vivamos com sinceridade em sua presença. Ele quer que a verdade reine em cada parte de nosso ser, porque ele quer que gozemos de plena liberdade - a fim de conhecermos cada vez mais a Ele. E nunca poderemos realmente conhecer a Deus enquanto não estivermos dispostos a sermos verdadeiros com Ele e para Ele.

A HONESTIDADE É SÓ O COMEÇO
       Deus ama a honestidade. Mas a honestidade é muitas vezes apenas o começo do viver verdadeiramente. Porque ser honesto não significa necessariamente cremos naquilo que é verdade. Só quer dizer que falamos e vivemos de maneira consistente com o que realmente cremos - por mais consistente ou inconsistente que nossas crenças sejam com a realidade.
       Honestidade significa ser fiel às suas verdadeiras convicções. Mas suas verdadeiras convicções podem não ser verdadeiras. É possível que sejamos honestos e estejamos ao mesmo tempo errados.
       Na verdade, o alívio de finalmente ter sido honesto, mesmo que estejamos sendo honestos com relação a algo errado, pode ser emancipador. Todos nós experimentamos ou testemunhamos isso. Quando alguém que tem lutado em segredo contra a homossexualidade, mas finalmente revela e abraça a homossexualidade, muitas vezes sente algo maravilhoso e libertador. Ou, quando alguém que professou fé em Cristo deixa, em segredo, de acreditar na realidade do Cristianismo, pode ser um grande alívio finalmente admitir isso e parar de fingir. Ou, quando um cônjuge, em segredo, cometeu adultério, pode sentir algo libertador ao trazer isso à tona, mesmo sem estar arrependido. O que cada uma dessas pessoas experimenta é uma sensação de ter sido verdadeiras consigo mesmas, mesmo que aquilo no qual realmente acreditam não seja verdadeiro, nem certo.
       Fomos feitos para viver com integridade - onde nosso ser interior se alinha com nosso ser exterior. Isso faz da honestidade o começo da verdadeira obra. Deus quer que sejamos honestos, mesmo quando o que realmente acreditamos não é bom. É melhor ser honesto do que enganoso. Mas crer honestamente em algo que é falso não é a honestidade segundo Deus. Esse tipo de honestidade não nos libertará. É a verdade que nos faz livre, a verdade de Deus, o Deus que é a verdade.
       
SEJA HONESTO COM DEUS
       Deus se compraz quando a verdade reina no íntimo do nosso ser (Salmo 51.6). E Jesus disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14.6). É Jesus, não nossa psique, nossos desejos, corpos e passados desordenados e despedaçados, quem determina o que somos e como devemos viver. Ele é a verdade e o caminho. Não podemos realmente ser verdadeiros conosco mesmos enquanto nós mesmos não tivermos recebido nossa identidade, propósito e destino do Pai por meio de Jesus.
       Ser honesto com Deus significa admitir abertamente quem somos e não viver mais com base no medo do homem. Mas é mais do que isso. É arrepender-se do orgulho que alimentou nossos modos de vida enganosos, independente do que isso possa significar. É lançar diante de nosso misericordioso Rei Jesus todas as nossas crenças antigas, pecaminosas e defeituosas sobre o que significa ser “importante”, “ilustre” e “relevante”. É abraçar Sua verdade, por mais difícil e doloroso que isso possa ser no começo.
        O que está por traz dessa entrega verdadeiramente honesta é a maior possibilidade de alegria que Deus pode nos dar: Ele mesmo.  Ele quer alinhar nosso ser interior e nosso ser exterior com seu ser. E este alinhamento só acontece quando deixamos de lado nosso tolo orgulho e nos humilhamos sob a poderosa mão de Deus (1 Pedro 5.6), pois Ele sabe como e quando nos exaltar por caminhos que nos deixam surpreendidos e que aumentam nossa alegria nele.

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Jon Bloom (Twitter: @Bloom_Jon) serve como autor, presidente da diretoria e co-fundador do site Desiring God. Ele é autor de três livros, “Not by Sight”, “Things Not Seen”, and “Don’t Follow Your Heart”. Ele e sua esposa vivem na Região Metropolitana de Minneapolis-Saint Paul com seus cinco filhos.
 Tradução: Bruno dos Santos Queiroz.

Publicação em português permitida pelo Desiring God.

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