quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

REFUTANDO O PENTECOSTALISMO ASSEMBLEIANO

       O artigo 9° do credo das Assembleias de Deus diz o seguinte: “(Cremos) No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo, com a evidência inicial de falar em outras línguas, conforme a sua vontade.” Além de afirmar a atualidade dos dons miraculosos e revalacionais, os assembleianos creem que o Batismo no Espírito Santo se refere a uma segunda bênção recebida pelo crente ordinariamente depois da conversão, em que ele é revestido da plenitude do Espírito Santo, e o falar em línguas estranhas aparece como evidência inicial desse recebimento.
       Logo, segundo o pentecostalismo assembleiano: (i) Nem todo crente é batizado no Espírito Santo; (ii) Após a conversão o crente deve buscar por meio de orações e jejuns esse batismo; (iii) Nem todo salvo está revestido da plenitude do Espírito Santo; (iv) Quem nunca falou em línguas estranhas não é batizado com o Espírito Santo e (v) Dons revelacionais e miraculosos continuam em operação. Creio que todos esses 5 pontos são erros cometidos pelo Movimento Pentecostal Assembleiano. Vejamos o que as Escrituras dizem sobre o Batismo no Espírito Santo e com fogo:

ANTIGO TESTAMENTO

       O Antigo Testamento retrata a vinda do Messias, ora como sendo revestido pelo Espírito Santo e trazendo essa plenitude ao povo da Aliança, ora como sua chegada para exercer juízos contra os ímpios. Isso se vê em textos como Joel 2.28-31:E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. Até sobre os servos e as servas derramarei do meu Espírito naqueles dias. Mostrarei maravilhas no céu e na terra, sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas, e a lua em sangue; antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”. Observe que Joel profetiza o Batismo no Espírito Santo como universal, e não limitado a alguns do povo de Deus. Ainda, Isaías 61.1-2:O Espírito do Soberano Senhor está sobre mim porque o Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres. Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros, para proclamar o ano da bondade do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; para consolar todos os que andam tristes.” Logo, o Messias deveria vir para derramar a plenitude do Espírito Santo sobre todo o seu povo e para exercer juízo sobre os iníquos.

A PREGAÇÃO DO BATISTA

       João Batista retoma a profecia pneumatológica do profeta Joel, e preparando o caminho para o Messias, repete que Ele virá para derramar o Espírito e manifestar o fogo do seu juízo: “Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: ‘Raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima? Deem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. ‘Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga" (Mateus 3:7-12). Visto que o significado de uma palavra deve ser procurado no contexto em que é usada, o batismo com fogo aqui se refere à manifestação da Ira de Deus. Desse modo, em harmonia com a visão do Antigo Testamento, o Messias vem para revestir seu povo de plenitude (Batizar no Espírito Santo) e manifestar a Ira de Deus contra os ímpios (Batizar com fogo).

ATOS DO ESPÍRITO SANTO

       A ideia de Batismo remonta a concepção de “rito de iniciação”. A era apostólica se encontra na transição para uma nova dispensação ou administração da Aliança da graça. No Novo Pacto, o povo eleito introduzido no Corpo de Cristo desfruta da plenitude do Espírito Santo, cuja unção não está circunscrita a alguns poucos escolhidos para ofícios especiais como na antiga dispensação. Os primeiros seguidores de Cristo, como sinal da iniciação nesse Novo Pacto, receberam a plenitude do Espírito Santo por ocasião do Pentecoste (Atos 2.1-4). Não obstante, essa Nova Aliança não inclui apenas os primeiros cristãos judeus, daí o mesmo fenômeno se repete para confirmar a inserção no Corpo de Cristo, dos samaritanos (Atos 8.12-17), dos gentios (Atos 10.44-48; 11.15-18) e dos discípulos de João Batista (Atos 19.1-7). Visto que existia uma resistência no início de reconhecer os não-judeus como herdeiros da promessa pneumatológica messiânica, a inserção desses grupos foi acompanhada pela evidência externa do falar em línguas.

PNEUMATOLOGIA PAULINA

       O apóstolo Paulo confirma que o Batismo no Espírito Santo é o ato pelo qual os salvos, judeus e gentios, são inseridos na comunidade Cristã: “Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito” (1 Coríntios 12:13). Desde que os fenômenos extraordinários de Batismo no Espírito Santo assinalaram a entrada de judeus e não – judeus convertidos numa Nova Aliança com Cristo, todos os crentes agora, no momento da regeneração, são inseridos no Corpo da Igreja, sem que seja necessária uma manifestação externa.

CESSAÇÃO DOS DONS REVELACIONAIS

       Mesmo que a Bíblia não diga explicitamente que os dons revelacionais cessaram, isso pode ser deduzido logicamente da suficiência das Escrituras. Primeiro, é importante dizer que nem todos os dons cessaram, mas sim que, com o fim da era apostólica, os dons revelacionais tornaram-se desnecessários e por isso não existem mais. As Escrituras fornecem uma Weltanshauung (visão de mundo) completa, isso significa que ela contém elementos suficientes para orientar todas as nossas decisões. Por exemplo, se preciso escolher um emprego, eu posso analisar alguns princípios bíblicos, como a ideia de vocação, e assim tomar uma decisão, ao escolher uma esposa, posso olhar os princípios bíblicos que me orientam nessa decisão. Se as Escrituras fornecem elementos suficientes, qual a necessidade de que revelações continuem hoje?

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra." - 2 Timóteo 3.16-17.

       Se uma pessoa pode buscar, nos princípios das Escrituras, os elementos suficientes para tomada de decisões, quando ela recebe isso numa profecia, ela estaria deixando de avaliar os princípios das Escrituras. Desse modo, as revelações atuais, não são só desnecessárias, mas prejudiciais para a piedade cristã.
       Os pentecostais objetam dizendo que as profecias de hoje não estão no mesmo nível  das profecias das Escrituras. Para isso, eles dizem que as revelações, hoje, não são mais (i) inspiradas e inerrantes: Se não são inspiradas e inerrantes, um profeta pode errar, mas isso solaparia o teste do profeta apresentado em Deuteronômio 18.22: “Se o que o profeta proclamar em nome do Senhor não acontecer nem se cumprir, essa mensagem não vem do Senhor. Aquele profeta falou com presunção. Não tenham medo dele.” (ii) autoritativas: os pentecostais afirmam que as profecias de hoje devem ser julgadas a luz das Escrituras - se isso é assim qual a necessidade delas? Por que o cristão não vai direto às Escrituras? Dizem também que o cristão não é obrigado a obedecer a uma revelação atual, mas se isso é assim, teríamos de admitir que existam revelações de Deus as quais se pode desobedecer – isso é absurdo. (iii) doutrinárias: pentecostais dizem que as revelações atuais não possuem conteúdo doutrinário, mas apenas prático ou particular. No entanto, na medida em que é a ortodoxia quem orienta a ortopraxia, parece impossível conceber uma revelação, mesmo particular ou prática, isenta de conteúdos doutrinários.
       É preciso considerar também que, na medida em que o dom de línguas bíblico é revelacional (1 Coríntios 14.2), ele cessou. Poderíamos argumentar assim: 1) A revelação de Deus em Jesus registrada pelos apóstolos é a revelação final e suficiente de Deus (Hebreus 1.1; 2.1-4; Efésios 2.20; Judas.3) (2) O fechamento do cânon, como revelação completa e suficiente de Deus, torna desnecessário a continuidade de revelações (2 Timóteo 3.16-17) (3) Logo, os dons revelacionais cessaram, pois a continuidade de revelações hoje seria inconsistente com a suficiência da revelação das Escrituras. A partir dessa conclusão poderíamos argumentar sobre o dom de línguas: (1) Os dons revelacionais cessaram (Hebreus 1.1; 2.1-4; Efésios 2.20; Judas.3; 2 Timóteo 3.16-17) (2) O dom de línguas é revelacional (1 Coríntios 14.2). (3) Logo, o dom de línguas cessou. Se a suficiência das Escrituras nos permite concluir que a revelação cessou, temos que dizer que os milagres como meio de autenticar a revelação também cessaram. Isso não significa que Deus não faça mais milagres, Ele os faz como parte de Sua Providência. O que afirmamos é que Deus não faz mais milagres para atestar a mensagem de um pregador.

CONSIDERAÇÕES FINAIS


        A visão bíblica, ao contrário da posição pentecostal clássica, entende o Batismo no Espírito Santo como a inserção do crente no corpo místico de Jesus Cristo , pela operação graciosa do Espírito Santo no momento da regeneração, sem necessidade de uma evidência externa inicial. Nessa perspectiva, todo crente já é batizado no Espírito Santo. Contra os pentecostais e continuístas, afirmamos também que a revelação e os testemunhos miraculosos que a autenticavam, cessaram.



*As considerações sobre o Batismo no Espírito Santo tiverem por base:  https://www.youtube.com/watch?v=zpSEo1X96Es e https://www.youtube.com/watch?v=3hof0wBaHpg



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