sábado, 24 de outubro de 2015

REFORMA PROTESTANTE (PARTE III)

O Texto abaixo foi escrito por Lúcio Reis de Andrade, e portanto pode não apresentar ponto a ponto minha opinião. Caso você também queira colaborar com um texto para este Blog, é só me enviá-lo em arquivo word (texto em Times New Roman 12, espaçamento 2 e justificado) que ele pode ser publicado com os devidos créditos a quem escreveu. Email para enviar o arquivo word: araguaribrunosqueiroz@gmail.com

Após a abordagem das causas da Reforma, o contexto da época, a tentativa fracassada dos pré-reformadores de mudar a Igreja Católica para os padrões bíblicos e a pureza dos primeiros cristãos, este é o momento adequado de estudarmos sobre o Renascimento.
Nesta época, a Europa estava passando por mudanças políticas, econômicas e culturais, que começou no século XIII e se estendeu até o século XVII. O comércio estava renascendo em detrimento da agricultura. Enquanto que os monarcas acumulavam mais poder, os senhores feudais estavam se empobrecendo por causa dos enormes gastos com as cruzadas. Também surgiu a peste negra, que matou 33% da população européia entre os anos de 1347 e 1350. A Igreja Católica passava por uma grave crise de liderança, chamada de Cativeiro da Babilônia (1305-1415), em que três papas (Urbano VI, Clemente VII e João XXIII) disputaram o poder, dividindo o catolicismo.
Assim, o povo europeu começou a mudar de mentalidade, duvidava dos ensinamentos do clero católico e questionava a autoridade do papa. Quem também contribuiu com esse processo de mudança na mentalidade foram os renascentistas, juntamente com a obra dos pré-reformadores.

História e definição do Renascimento e Humanismo

O movimento renascentista ocorreu entre os anos de 1350-1560, quando os eruditos italianos começaram a procurar os manuscritos da Antiguidade Clássica e imitar o estilo de escrever dos autores greco-romanos. O Renascimento só foi consolidado quando os muçulmanos do Império Turco-Otomano conquistaram a sede do Império Bizantino, a cidade de Constantinopla. Assim, os sábios e eruditos bizantinos fugiram para a Itália, trazendo consigo os manuscritos clássicos. Surgido na Itália, o movimento se espalhou por toda a Europa ocidental. Muitos papas incentivaram a tradução das obras clássicas para o latim, porém não sabiam que o Renascimento derrubaria a influência e poder da Igreja Católica.
Como já estudamos, o Renascimento foi um movimento filosófico, científico, artístico e cultural que visava à volta ao estudo das obras artísticas, literárias, científicas e filosóficas da Antiguidade Clássica (Grécia e Roma). Os intelectuais renascentistas rejeitavam o pensamento medieval e católico da época e estavam empenhados em pensar, investigar e trazer os valores e legados greco-romanos de volta para sua própria época, mas sem a interferência da Igreja Católica.
No princípio, o movimento renascentista era essencialmente humanista. O humanismo foi um movimento que estava interessado em redescobrir e estudar as fontes greco-romanas (tanto pagãs, como cristãs) na área de humanidades, tais como: literatura, matemática, eloqüência, história e filosofia. Os humanistas investigaram os escritos clássicos conservados pela Igreja Católica e descobriram erros de tradução, de propósito ou não, dos copistas medievais. Assim, os humanistas incentivaram os estudiosos a buscarem pela literatura greco-romana sem a interferência da Igreja.
O maior objetivo dos humanistas era reivindicar o direito de pensar, criticar, refletir e manifestá-los livremente, sem a influência católica. Desta forma, a mentalidade do povo europeu se abriu, começou a pensar livremente.
Os humanistas também estavam interessados em reformar a Igreja e a sua maior contribuição para o movimento protestante foi a disponibilização e a tradução dos manuscritos originais da Bíblia (grego e hebraico), dos textos escritos na era patrística e a Vulgata Latina (A Bíblia escrita em latim). Assim, foi possível retornar aos ensinos da igreja primitiva e redescobrir as verdades bíblicas que haviam sido ofuscadas pelas trevas da ignorância e superstição medievais.

Jerônimo de Savonarola

Foi um dos renascentistas com maior influência sobre os reformadores. Tendo nascido em Ferrara (1452), na península Itálica, chegou à cidade de Florença em 1490. Savonarola era frade dominicano e era muito conhecido pela dedicação ao estudo e à santidade. Apesar de professar boa parte da teologia medieval, logo se tornou famoso pelas pregações contra a corrupção que reinava em todos os níveis da sociedade e os pesados impostos para sustentar o luxo do rei Lourenço de Médici e seus protegidos.
Com o tempo, a influência de Savonarola se tornou tão forte na cidade, que ele conseguiu realizar as reformas necessárias na cidade. Vendeu todas as propriedades do convento de São Marcos para dar dinheiro aos pobres, a vida dos frades dominicanos se tornou exemplo de santidade, incentivou o estudo do grego, hebraico, árabe e caldeu no convento, empenhou-se em melhorar as condições de vida dos pobres, pregou contra o luxo e a ostentação e proibiu o carnaval. Se sonho era fazer do convento de São Marcos um centro missionário e transformar a cidade em uma república democrática.
As reformas realizadas na cidade de Florença conquistaram o apoio do povo, ao mesmo tempo em que despertou o ódio na elite política, econômica e eclesiástica. Por isso, em 1498, Jerônimo de Savonarola foi preso e condenado à morte por enforcamento. Depois seu corpo foi queimado e suas cinzas foram jogadas no rio Arno.

João Collet

Foi um dos maiores intelectuais da Universidade de Oxford. Fortemente influenciado por Savonarola, Collet (1466-1519) rompeu com a metodologia escolástica e foi eleito deão da Catedral de São Paulo. Nesta catedral, Collet pregou um sermão em que declarava que a vida depravada dos clérigos era a pior de todas as heresias e condenava também como heresia o sacerdotalismo e a transubstanciação.

Erasmo de Roterdã

Entre todos os humanistas reformistas, Erasmo de Roterdã (1467-1536) foi o mais importante e o mais influente. Foi professor de divindades e grego e escreveu vários artigos que visavam a necessidade urgente da Igreja, de dentro para fora, entre eles o ‘’Elogio da Loucura’’, o mais famoso de seus escritos. Valorizava mais a santidade e a vida prática do cristão do que o ensino das doutrinas bíblicas. Sua maior contribuição para a Reforma foi a tradução do Novo Testamento.
Apesar de tanto defender a reforma da Igreja Católica, quando se iniciou a Reforma Protestante, não abandonou a Igreja Católica e ainda rompeu a aliança com Lutero e seus companheiros. Por isso, foi chamado de covarde, tanto pelos católicos, com pelos protestantes.

Bibliografia:
COTRIM, Gilberto. História e Consciência. 9ª Ed. São Paulo: Saraiva, 1996
KNIGHT, A. e ANGLIN, W. – História do Cristianismo. 2ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983
GONZÁLEZ, Justo L. – História Ilustrada do Cristianismo, 1 vol. 2ª Ed. São Paulo: Vida Nova
MOCELLIN, Renato. Para Compreender a História. 2ª Ed. São Paulo: Editora do Brasil, 2001
MOZER, Sônia, TELLES, Vera Lúcia. Descobrindo a História. 1ª Ed. São Paulo: Ática, 2008
SILVA, Paulo André Barbosa da – História da Igreja. Porto Alegre: Instituto Bíblico Esperança, 2013

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