terça-feira, 20 de outubro de 2015

REFORMA PROTESTANTE (PARTE II)

O Texto abaixo foi escrito por Lúcio Reis de Andrade, e portanto pode não apresentar ponto a ponto minha opinião. Caso você também queira colaborar com um texto para este Blog, é só me enviá-lo em arquivo word (texto em Times New Roman 12, espaçamento 2 e justificado) que ele pode ser publicado com os devidos créditos a quem escreveu. Email para enviar o arquivo word: araguaribrunosqueiroz@gmail.com

Após a abordagem da definição da Reforma, as causas e o contexto da época no artigo anterior (clique aqui para ler a parte I), agora vamos estudar sobre os condutores do movimento protestante, ou seja, aqueles que prepararam o caminho da Reforma. Vamos estudar sobre aqueles antecederam e tornaram possível o acontecimento da Reforma: os pré-reformadores e os renascentistas.
Mas, antes de estudarmos sobre os pré-reformadores, em primeiro lugar temos que nos lembrar que o povo de Deus nunca deixou de marcar seu testemunho em algum momento da história. Até mesmo na época em que a Igreja estava cada vez mais secular, pagã, afastada do Evangelho e sob trevas, mesmo assim Deus sempre conservou seu remanescente fiel. É só ler a Bíblia, especialmente os casos da família de Noé (Gn 6:5-12) e os três amigos de Daniel (Dn 3:10-13, 16-18). Leia também a declaração de Jesus sobre a Igreja (Mt 16:16-18).
Como já havia sido dito anteriormente, mesmo que em meio à apostasia que se encontrava a Igreja Católica, a qual era marcada por escândalos de corrupção moral e financeira, sempre houve um remanescente fiel a Deus. Tomando como referência a passagem de 1 Co 11:19, surgiram fieis sinceros que desejavam a completa reforma na Igreja, voltar a pureza, voltar às doutrinas bíblicas. A estes homens que lutaram em prol desse objetivo, são chamados de pré-reformadores.

Pedro Valdo

Em 1176, este rico comerciante da cidade de Lyon (atual França) ficou tão impactado após ler o Novo Testamento, que abandonou quase todos os seus bens, exceto os necessários para sustentar sua família. Criou o grupo ‘’pobres de Lyon’’ e começou a pregar um Evangelho genuíno, sem as superstições católicas. Os valdenses pregavam que cada cristão deveria possuir a sua Bíblia e que esta é a autoridade máxima na vida do crente. Portanto, rejeitavam a missa, a oração pelos mortos e o Purgatório. Como pregavam o genuíno Evangelho e distribuíam exemplares da Bíblia para seus ouvintes, foram excomungados pelo papa em 1184. Mesmo após a morte de Pedro Valdo, seus seguidores se espalharam pelas cidades e continuaram pregando o verdadeiro Evangelho. Quando surgiu o movimento protestante, os valdenses se uniram aos reformadores e aceitaram os princípios da Reforma.

John Wycliffe

Chamado de ‘’a estrela d’alva da Reforma’’ e professor da Universidade de Oxford (1320-1384), na Inglaterra, foi o que mais se destacou entre os pré-reformadores, pois foi responsável por lançar as idéias fundamentais do movimento protestante. Apesar de nunca ter se afastado da Igreja Católica, criticava abertamente as falsas doutrinas do papa e a conduta moral pecaminosa do clero.
Wycliffe pregava que ‘’o único cabeça da Igreja é o Senhor Jesus’’, que a Bíblia é a única regra de fé e prática de vida para o cristão. Ele também criticava que a doutrina da transubstanciação (o pão e vinho da Ceia se tornam literalmente o corpo de Cristo), as vendas de indulgências, a adoração as imagens de santos, o Purgatório como todas sendo falsas e destituídas de qualquer base bíblica. O legado mais importante que deixou para o povo inglês foi a tradução da Vulgata Latina (Bíblia na língua latina) para o inglês. Também defendia a separação entre Igreja e Estado, sendo que ambos não devem se interferir nos assuntos alheios, nem tentar ser acima do outro em termos de autoridade.
O teólogo inglês foi duas vezes chamado ao tribunal. A primeira vez aconteceu na catedral de São Paulo, em Londres, em fevereiro de 1377. Contando com o apoio de João de Gaunt (duque de Lencaster), Lordy Percy (marechal da Inglaterra) e da população, saiu vitorioso diante das acusações de Guilherme Courtenay (duque de Londres). Depois, em 1380, chamado ao tribunal pelo reitor da Universidade de Oxford, saiu novamente vitorioso com o apoio do povo inglês.
Após sua morte em 1384, seus seguidores chamados de ‘’lollardos’’, movimento formado pelo povo inglês e alunos de Oxford, foram durante perseguidos pelo duque de Londres e pelo Parlamento inglês. Porém, quanto mais perseguido, mais se espalhava pela Inglaterra e mais popular se tornava. O movimento defendia os mesmos ensinamentos de seu líder: o culto às imagens, as orações em favor dos mortos, o celibato sacerdotal, as peregrinações e a doutrina da transubstanciação como heresias. O movimento nunca foi totalmente extinto e se expandiu para o Sacro Império Romano-Germânico (atual Alemanha). Quando surgiu a Reforma Protestante, os lollardos aderiram ao movimento, tornaram-se protestantes e apoiaram a causa.
Os ideais pregados por John Wycliffe teve dimensões maiores que o leitor possa pensar. Graças as suas pregações baseadas num Evangelho autêntico, sem mistura com o paganismo e dogmas católicos, alcançou o povo inglês. Mais tarde, graças aos seus seguidores, os princípios básicos da Reforma se espalharam pelo Sacro Império, onde influenciou fortemente o reformador Martinho Lutero. Do Sacro Império, a Reforma Protestante se espalhou por toda a Europa. É por isso que John Wycliffe foi considerado como o pré-reformador mais importante da época.

John Huss

Graças ao movimento dos lollardos, os princípios de John Wycliffe chegaram na região da Boêmia, que na época fazia parte do Sacro Império Romano-Germânico (atual Alemanha). Nesta mesma região, nascia John Huss (1369-1415), que mais tarde se converteu ao verdadeiro Evangelho pela leitura das Sagradas Escrituras e foi profundamente influenciado pelos ideais do teólogo inglês.
Huss nasceu de uma família camponesa, na aldeia de Husinec, ingressou na Universidade de Praga com 17 anos, em 1402 se tornou reitor desta universidade e pregador da Capela de Belém. Assim como Wycliffe e Pedro Valdo, John Huss também desejava reformar a Igreja Católica. Pregando com eloqüência e fervor, repreendia os vícios e os abusos do clero, que eram totalmente diferentes e contrários ao que diz a Palavra de Deus, denunciava como heresias a venda de indulgências, o Purgatório, o culto de imagens de santos, entre outros. Também era a favor do uso da língua local na liturgia e afirmava que as Escrituras estavam acima da tradição católica (dogmas, decretos papais, concílios).
Diferente de Wycliffe, Huss não só contou com o apoio do povo boêmio, mas também da nobreza. Como suas pregações reivindicavam reforma na Igreja, o papa João XXIII proibiu Huss de pregar fora da Capela de Belém, porém continuou a pregar na Universidade de Praga. Assim, o papa o convidou para comparecer ao tribunal, entretanto Huss desobedeceu novamente ao papa e seguiu pregando a reforma. Como resultado de suas atitudes, foi novamente excomungado no ano seguinte e foi obrigado a comparecer ao tribunal, se não a cidade onde pregasse seria interditada.        
O pregador boêmio compareceu ao Concílio de Constança, sob a proteção do imperador Sigismundo. Porém, foi preso e tratado cruelmente. O imperador exigiu sua libertação, mas foi convencido pelos cardeais e pelo papa que não precisa manter o salvo-conduto quando se trata de infiéis da fé católica. Mesmo após sete meses de prisão, ele não negou as doutrinas originais do Evangelho e não se retratou como herege, conforme pediu o clero. No dia 6 de julho, passou para uma farsa de julgamento. Como negou a se retratar como herege, foi condenado à morte pela fogueira. Enquanto era queimado, profetizou: ‘’Hoje assais um ganso, mas daqui a cem anos, virá um cisne, o qual não podereis assar’’. 102 anos depois de sua morte, Martinho Lutero inicia a Reforma Protestante.
Assim como Wycliffe, John Huss também deixou seguidores, chamados de ‘’hussitas’’. Logo após o julgamento do pré-reformador boêmio, os nobres e toda a Universidade lançaram um documento de protesto contra o Concílio de Constância, no qual foi acusado de ter sido injusto e cruel e se recusou a obedecer as ordens de um papa indigno. As tensões entre os hussitas, o papa e o imperador Sigismundo aumentaram até surgir a guerra civil na Boêmia, em 1420. Apesar de serem inferiores quanto ao número de soldados e de armas, os hussitas impuseram sucessivas derrotas aos seus inimigos. Em 1431, após perderem várias batalhas, os católicos concederam algumas exigências dos hussitas.

Bibliografia:

FOXE, John – O Livro dos Mártires. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2015
KNIGHT, A. e ANGLIN, W. – História do Cristianismo. 2ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983
GONZÁLEZ, Justo L. – História Ilustrada do Cristianismo, 1 vol. 2ª Ed. São Paulo: Vida Nova
SILVA, Paulo André Barbosa da – História da Igreja. Porto Alegre: Instituto Bíblico Esperança, 2013
Site de referência:

Nenhum comentário: